Costuras na Quarentena, Máscaras de Tecido e Recomeço do Ateliê

Quando entramos em quarentena, eu estava dando aulas presenciais, tanto particulares e à domicílio quanto em grupo em locais parceiros. Eu mesma não estava costurando nada para mim pois andava muito ocupada atendendo as minhas alunas e, como eu sempre digo, vê-las produzindo me deixa tão satisfeita como se eu mesma estivesse costurando.

Ao adotar o distanciamento social (sigo assim, há mais de três meses agora), precisei reinventar o meu trabalho que era essencialmente presencial. Passei a atender on-line e preparei um espaço na minha sala de TV, que hoje eu realmente posso chamar de home office, para poder trabalhar, aproveitando o sinal melhor da internet e também a boa iluminação (contei um pouco da reformulação deste espaço aqui).

Eu me recolhi aqui no meu cantinho e não estive costurando até pouco tempo atrás. Como deu pra notar nos posts anteriores, tricotei duas blusas (aqui e aqui), fiz uma almofada de crochê (aqui) e bordei. Outros trabalhos estão rolando e logo menos eu vou mostrar. Costurar que é bom… nada.

Aí veio a recomendação para usarmos máscaras ao sairmos de casa. Pouco tempo depois, a recomendação de usarmos inclusive máscaras de tecido. Logo fui fazer máscaras para mim, para a minha família e também para atender a algumas encomendas.

Fiz tudo na mesa da cozinha, pois meu ateliê anda desordenado ao máximo há anos. Algumas arrumações superficiais foram feitas ao longo do tempo, mas logo menos estava bagunçado de novo e eu não conseguia manter uma rotina legal por lá.

Até agora, eu produzi três pequenos lotes de máscaras de tecido. Usei muitos tecidos que eu já tinha aqui em casa, o que me deixou muito satisfeita por dar um destino para eles. Usei os elásticos que eu tinha e depois comprei uma peça grande para continuar a fazê-las.

Mas, confesso, foi bem difícil costurar os dois primeiros “lotes”. Eu não estava bem, não ficava feliz ao costurar. Era uma sensação agridoce: uma alegria de poder usar um conhecimento que tenho e materiais adequados que estavam à mão para poder oferecer proteção em meio à pandemia junto com a frustração de costurar máscaras de tecido exatamente por estarmos vivendo uma pandemia. Sei lá, a sensação que eu tinha era que eu tinha aprendido a costurar porque queria fazer coisas legais e bonitas e, apesar das máscaras terem ficado bonitas, o mundo não é mais o mesmo e precisamos delas para viver nossas vidas fora de casa. Enfim, sensações conflituosas. Contei um pouco neste post do insta:

 

 

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Hoje pela manhã eu fui levar máscaras de tecido que eu costurei para a minha família. Usar o que julgo fazer melhor na vida para proteger as pessoas que eu amo é confortante. A cada pacotinho entregue, um carinho recebido mesmo eu estando na calçada e de máscara. Ganhei bolo de cenoura da minha tia @frederica_oliva e biscoitos da minha mãe. Sabor de infância e aconchego em dose dupla. Chorei muito ao sair de cada encontro sem poder beijar ou abraçar, depois de alguns minutos de conversa separada pelos portões das casas ou da afilhada que veio dar oi rapidinho na janela antes de voltar pra aula on-line da escola. Se tudo vem em duplas, como o texto que li hj desse livro lá nos Stories, a saudade anda junto com o amor, a dor anda junto com a empatia. E, apesar de morar “sozinha” (entre aspas pq tenho Luke e Leia), nunca estive solitária por ter a minha família sempre por perto. Hoje tá difícil fazer qquer coisa pq tô mto emotiva e não consigo me concentrar, mas me sinto abençoada por saber que a minha família está bem e segura e que no momento certo estaremos todos juntos de novo! #escrevekatiaescreve #costurakatiacostura

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E, nesse processo todo de se adaptar ao que temos hoje (não quer dizer que esteja bom e sim que é o melhor a ser feito em função da situação atual, principalmente aqui no Brasil) eu entendi porque meu ateliê esteve abandonado. Entendi também o que precisava ser feito para retomar esse espaço num novo formato, onde eu poderia voltar a costurar para mim e também poder dar minhas aulas on-line. E tudo isso me ajudou a ter vontade de costurar para mim mesma de novo.

Mas esse texto ia ficar gigantesco, hahahaha. Aí resolvi gravar um vídeo pra contar melhor! (mais uma retomada, né? O último vídeo que gravei tinha sido este aqui).

 

Tem dado trabalho mas está sendo bom. Assiste o vídeo e vem bater um papo comigo depois? Pode ser por aqui ou lá no Insta mesmo!

Estou de volta às costuras e isso é muito significativo para mim!

Beijos e boas costuras!

Look do Dia: Blusa de tricô rendado!
Look do Dia: a estreia oficial de um vestido feito em 2015!
Top Posts de 2015!

Olá!
FELIZ ANO NOVO!

Uma das coisas que eu acho que sempre vale a pena quando um novo ano começa é ver o que aconteceu no ano anterior para dar continuidade, para melhorar, para mudar!

Se tem uma coisa que eu gosto de ver especialmente nesta época são as estatísticas do blog, pois através delas que dá para saber quais posts fizeram mais sucesso e assim conseguimos saber quais assuntos interessam mais para quem passa por aqui e procurar fornecer mais conteúdo nesse sentido.

Dentre os posts publicados no ano passado, os mais acessados foram estes (se você for novo por aqui, aproveite para conhecê-los!):

1. Minha máquina de costura – Singer Facilita Pró 4423 – 2 anos depois
Minha Novinha arrasando nos seus dois anos de uso (em algum meses vou tornar a avaliá-la)!

2. O que eu aprendi sendo gorda
O maior desabafo meu, super pessoal, que rendeu uma repercussão que eu não imaginava!

3. Minha máquina de overloque – Singer Ultralock 14SH754 – 1 ano depois
Tenho uma relação de amor e ódio com a minha Encantada, contei neste post como foi o primeiro ano com ela!

4. Moldes para Meninos
A Ana arrasou nessa coletânea de moldes para roupas de meninos!

5. Look do Dia: vestido com tênis!
O vestido feito para a virada do ano novo 2013/2014 que virou até hoje uma das minhas principais opções para o verão, usado com tênis e quimono (este último tem até tutorial!)

6. Meu ateliê: Mesa de Corte (e pesos para tecidos)
Adorei mostrar as soluções que tive para organizar o ateliê e a mesa de corte é um belo exemplo!

7. Look do Dia: Saia de Sarja!
Uma das peças mais versáteis que costurei no ano passado, uso muito!

8. Minha colcha de retalhos – progressos de dezembro e janeiro
Pois bem, minha colcha querida de hexágonos está parada há um tempo, mas em 2016 quero retomá-la e voltar a contar sobre ela!

9. Por que costurar as próprias roupas?
Um dos posts que mais gostei de escrever, pois costurar as próprias roupas é uma delícia e vale muito a pena!

10. Blog e Canal de vídeos “A costureirinha”
Nós adoramos dar dicas de outros blogs que acompanhamos e esta indicação fez sucesso!

Os posts de Costuras da Semana também sempre foram bastante acessados e eu adorava fazê-los! É que tenho tanta coisa para postar que fiz ultimamente que talvez eu volte com eles quando tudo estiver em dia, que tal? Me dá sua opinião?

Aliás, se quiser deixar aqui nos comentários que tipo de post te agrada mais (e menos também), assim como sugestões para novos posts, vamos adorar saber e vamos trabalhar suas sugestões!

Eu e a Ana estamos com todo o gás nesse novo ano, esperamos que vocês também!

Beijos e boas costuras!

Costuras na Quarentena, Máscaras de Tecido e Recomeço do Ateliê
Look do Dia: Blusa de tricô rendado!
Eu, pelas lentes da Sharon e a chegada aos 36 anos.

Olá!
Hoje inicio mais um ciclo da minha vida, chego aos 36 anos. Que ano longo, apesar de ter a mesma quantidade de dias que os demais! Este ano da minha vida, assim como 2015 inteiro, pode ser resumido em uma palavra: intenso.

Intenso tanto para o bem (viajar, abrir minha empresa, voltar a trabalhar, costurar bastante, tricotar, emagrecer, mudar o cabelo, etc) quanto para o mal (o Astor adoecer e falecer poucos meses depois, ter problemas de concentração e cansaço mental frequente).

O dia em que a Sharon veio me fotografar também foi muito intenso para mim, mas nesse dia em especial eu senti uma paz tão grande, uma tranquilidade incrível… Algo que só poderia sentir por estar bem comigo mesma, por estar vivendo harmoniosamente na minha própria pele, sabe? Eu acho que a minha jornada na casa dos 30 anos é esta e provavelmente não vai acabar.

Olhar no espelho e gostar do que vê é só o reflexo. Naquele dia eu estava me sentindo linda, mesmo com a pancinha, com a mancha na testa que alguns tratamentos dermatológicos não removeram, com o cabelo ainda muito amarelado do processo da descoloração total, com o habitual esmalte preto nas unhas meio detonado.

Tinha tudo isso acontecendo e ainda assim eu estava me sentindo linda. Porque eu via naquelas imagens prévias na câmera que ali estava eu mesma. E Sharon sabe como ninguém captar isso. Com ela eu não me preocupo com nada, nem mesmo com a minha pancinha (pronto, entreguei minha cisma das fotos de look do dia, hehehe).

Que bom que não esperei que os quilos que faltam perder já tivessem ido embora, que o cabelo estivesse na cor “ideal”, que meu ateliê já estivesse totalmente arrumado e com cortina. E curti muito a preparação para estas horas deliciosas, fazendo um vestido novo, escolhendo vestir também um macacão que adoro, fazendo o bordado para a porta do ateliê.

Eu estava em paz, mesmo que esse ano para mim esteja sendo difícil, principalmente pela perda do meu Astor. Eu estava feliz, eu estava me sentindo linda e vi que meus defeitos também fazem parte do que eu sou. É só não deixá-los serem maiores que os meus valores (porque o que vale mesmo é o que vem de dentro, né?!).

Uma das coisas que eu tenho como uma “filosofia de vida” é não passar vontade, por isso mesmo mudei meu cabelo, me visto como bem entendo e tomo as minhas decisões sem pensar muito no que os outros vão achar.

O meu otimismo habitual se sobrepôs a tanta coisa difícil desde ano e também ao cansaço. Resolvi desacelerar esta semana e vou comemorar o meu aniversário como se deve: com a minha família e amigos por perto. Vendo o tanto que os 35 foram conturbados, eu quero apenas que os 36 sejam bons e calmos, só isso.

Agora vamos ao presentão que chegou aqui em casa esta semana, as fotos maravilhosas de Sharon que mostram a Katia costureira, tricoteira, que tem num ateliê pequeno mas cheio de amor, a mãe saudosa do Astor e mãe babona do Luke. A pessoa que vive de batom colorido e de vestido estampado com tênis. Em constante transformação, felizmente!

Sha, obrigada por deixar o meu dia mais especial!

E beijos para todo mundo que passa sempre por aqui!

Costuras na Quarentena, Máscaras de Tecido e Recomeço do Ateliê
Look do Dia: Blusa de tricô rendado!
Katia Linden
Sou de São Paulo, publicitária de formação e várias outras coisas por admiração e escolha própria: feminista, mãe de cachorros, tatuada, amante de música, viciada em Grey's Anatomy, costureira, modelista, consultora de estilo e (também, ufa) autora deste blog.
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