Look do Dia: Nada como um tricô em Top Down após o outro!

A primeira blusa que fiz em tricô com a técnica Top Down (aquela em que começamos a tecer pelo decote e depois descemos) foi em julho de 2018. Fiz as aulas presenciais com a Nat Petry quando ela veio a SP na época e tricotar a peça num período tão crítico na minha vida me ajudou muito.

Tricotei dia e noite e terminei a blusa em 11 dias. Nunca mais vou conseguir repetir esse feito, eu acho, hahaha. Eu estava tão anestesiada pelo luto e pelos problemas com meu casamento chegando ao fim que eu só tricotava o dia inteiro, não conseguia fazer mais nada, não tinha ânimo nem força física naqueles tempos.

Eu amei aprender algo novo naquele momento, era a deixa que eu tive para colocar minha atenção em outra coisa que não fosse dor e problemas. Até hoje amo a blusa que fiz, tanto pelo modelo quanto pelo fio e pela cor.

O Top Down do Luto (que depois virou um top down bem sexy, rs)

Como eu nunca tinha postado em detalhes a primeira blusa, aqui vai:

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Usei 6 (ou 7, não tenho certeza ao falar quase dois anos depois) novelos do fio Hobby da Círculo, na cor 7136. Teci a blusa toda com agulhas 7mm, que vinham no kit fornecido pela Nat no curso. Os fios também vinham no kit, assim como os marcadores, mas precisei comprar mais fio para terminar a blusa.

Com o tempo a blusa deu uma espichada, rs e também ficou larga porque eu emagreci muito depois. Dá pra notar que a trama está um pouco aberta ao ver o fundo do manequim nas fotos. Mas aí é que eu gostei mais ainda dela, usando caidinha no ombro com um belo top por baixo. Sim, eu abracei um jeito diferente de usar as roupas que eu já tinha, acompanhando a descoberta da mulher que eu sempre quis ser: sexy, bem resolvida e confiante. E ter roupas feitas por mim que acompanham isso é bom demais!

O top down da quarentena

Quando a quarentena começou, era tanta live, aula grátis e tudo mais que eu fiquei ansiosa. Era quase um FOMO (fear of missing out, medo de ficar por fora) por não estar aprendendo algo novo. Mas, como eu já contei nos posts anteriores, a nova rotina por aqui anda muito pesada e a minha decisão foi encontrar refúgio nas coisas que eu sabia fazer sozinha. Foi aí que eu resolvi fazer um novo top down, com o mesmo fio, só que em outra cor e com a modelagem mais certinha no corpo (e mais curta tb). Acabei ficando com muitas blusas largas e eu amo que elas tenham ficado assim e eu já estava planejando mesmo fazer duas blusas mais justinhas para variar.

Minhas amigas queridas da Craft Gang me incentivaram a fazer carreiras encurtadas nas costas para rebaixar o decote da frente mas eu não consegui acompanhar como fazer. É algo que entrou na minha lista do que quero aprender num futuro próximo. Dessa vez, acabou saindo com frente e costas iguais mesmo. Fiz a blusa em 26 dias, inclusive em alguns dias em que estive numa bad danada por conta de problemas com a geladeira, que foram dias de transtorno sozinha em casa, com um isopor com gelo no meio da cozinha até arrumar, além da sensação de ter tido a minha “bolha de segurança” furada por eu ter que receber dois técnicos para verificar e consertar a geladeira em pleno tempo de isolamento social.

Paralisei em relação ao trabalho. Fiquei mal mesmo por uns 10 dias. Tive dias de chorar o dia inteiro. Porque estamos todos no limiar de nossas emoções e qualquer coisa pode desencadear uma reação dessas. Depois que tudo foi sendo resolvido, eu fui melhorando. Mas, no decorrer destes dias ruins, lá estava eu com o meu tricô. De novo.

 

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Criando um novo “normal” com todas as refeições feitas em casa. Um chá de hibisco com bolo de laranja para acompanhar o tricô do fim de tarde, depois de fritar os neurônios em frente ao computador o dia todo. Novas ideias encontram espaço para vir ao mundo nos tempos atuais e outras que não iam adiante por falta de tempo de criar também. Estabelecer uma nova rotina toda dentro de casa tem sido bom e desafiador (lembrando que a porção sagitariana rueira tem que ficar sossegada agora). A blusa em top down que aprendi com a @atelienatpetry cresce aos poucos, uma horinha por dia, como eu fazia anos atrás. E assim as coisas vão se ajeitando por aqui. #tricotakatiatricota #fizcomanat #escrevekatiaescreve

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Sem saber quanto fio eu usaria, comprei de novo 7 novelos do fio Hobby, num cinza claro que até lembra um prata (cor 8473), achei bem lindo e elegante. Como os meus pontos hoje em dia já não são tão apertados como antes, teci a blusa com agulhas 6mm e acabei usando 5 novelos do fio. A blusa ficou do jeitinho que eu queria em relação ao tamanho e a modelagem é a mais simples possível, adorei!

Comparando as duas blusas

Resolvi colocar as duas blusas juntas para ver a diferença entre elas. É gostoso ver a evolução da técnica e também que me senti independente para tecer essa blusa sozinha.

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Look do Dia: aniversário da minha prima

Eu terminei a blusa na véspera do aniversário da minha prima Fernanda, minha irmã do coração desde sempre. Já tínhamos combinado no grupo da família que ia ter bolinho online para comemorar e eu resolvi estrear a blusa e também me ajeitar para prestigiar a aniversariante!

Ainda não estava frio (ainda não está, na verdade) então eu pude usar a blusa nova com um shorts de couro que vai bem com tudo o que eu tenho no armário. Nesses tempos de aparecer em chamada de vídeo, um batonzão vermelho e um acessório bacana perto do rosto, como um broche, dão conta de ficar bonita para a ocasião!

Detalhes perto (ou no próprio) rosto em tempos de chamadas de vídeo!

Blusa em tricô top down: Fio Hobby – 100% acrílico – da Círculo, na cor 8473. Tecida com agulhas 6,0mm. Método aprendido com a Nat Petry, tem curso online aqui.
Shorts de Couro: feito sob medida pela Lala Barros.
Broche: Montageart.

Tem mais uma blusa nascendo nessa quarentena e, quando estiver pronta, mostrarei por aqui!

Os tricôs de 2018
9 Anos de Blog!
Look do dia: “Mula sem Cabeça” em Tricô

No primeiro mês de quarentena, eu vivi o desafio (como eu acredito que tenha sido com todo mundo) de criar uma nova rotina para mim, para o meu trabalho, para meus doguinhos e para a minha casa.

Confesso que tem sido cansativo. Como eu contei no post anterior, eu moro sozinha há um tempo mas sempre contei com uma rede de apoio para manter a casa funcionando e meus filhotes bem cuidados enquanto eu estava fora. E aí eu assumi tudo que eu não fazia antes: faxina, afazeres da casa, banho dos cachorros, além de transformar o meu trabalho em online e também desenvolver alguns projetos que estavam engavetados. Desde março, estamos eu, Luke e Leia aqui confinados e eu só tenho saído só para o que eu realmente não consigo resolver online (como ir ao supermercado. A vida do “interiorrrr” do município é um tanto limitada nesse sentido).

Nos dias em que estou bem, faço faxina, trabalho como louca, faço tudo o que estiver precisando de um gás. Assim, quando a bad bate, eu me dou o direito de ficar quieta no meu canto até me recuperar dela. É tudo muito novo e eu acredito que temos que nos permitir sentir tudo pra deixar passar e aprender algo com isso.

No começo de abril eu teria viajado para Presidente Venceslau com a minha mãe. Visitaríamos a minha tia-avó por parte de pai, conhecida por todos como a tia Lili, que fez 98 anos. Nós iríamos na 6a feira Santa, logo após o tradicional almoço em família aqui em SP e voltaríamos na 2a feira pela manhã, à tempo de eu dar aula na parte da tarde. Por conta da pandemia a viagem foi cancelada, infelizmente. Passei o domingo de Páscoa em casa, com algumas barras de chocolate, rs.

A “Mula Sem Cabeça” em Tricô

Eu comecei a tricotar esta peça em maio de 2018, quando as coisas já andavam meio esquisitas por aqui. Foi o projeto que estava comigo quando o meu pai estava no hospital. Tricotei como louca nas horas em que ele estava no centro cirúrgico, tentando fazer as horas passarem mais rápido enquanto eu e a minha mãe estávamos em silêncio e tensas no quarto a espera de notícias do meu pai. Continuei a tricotar durante o meu luto tão conturbado e foi a primeira peça que terminei quando voltei a fazer aulas na Novelaria, já separada.

 

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Dia de fazer acabamento = dia feliz! #tricotakatiatricota #crochetakatiacrocheta

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O nome curioso é porque ela se parece uma regata sem a abertura do decote para passar a cabeça enquanto estamos tecendo. Mas é porque o jeito de vestir é outro, colocando a peça em outro sentido. Não consigo explicar direito e eu mesma lutei com a peça ao não lembrar como vestir no dia, depois de tê-la guardado por mais de um ano sem uso. Mas as fotos devem ajudar a entender a lógica, hahahaha! (Clique em uma das fotos da galeria para ver em tela cheia!)

Usei 4 meadas de 100g de uma lã Merino Superwash da Malabrigo chamada Arroyo, na cor 247 Whale’s Road que mescla azuis e roxos, que eu amo tanto. Usei agulha 4,5mm de tricô e fiz os acabamentos de barra e cavas em ponto baixo e depois ponto caranguejo de crochê (agulha 2,5mm e eu só sei disso pela foto acima, hahaha). É uma lã fina (tipo Sport) e a peça é toda tricotada em ponto canelado. Comprei a lã na minha última ida a Montevideo, em janeiro de 2018 (não tem post sobre essa viagem aqui no blog, mas vários outros foram escritos sobre esse lugar tão especial, é só clicar aqui).

Look de Páscoa

Como eu contei aí em cima, eu estaria viajando na Páscoa. Já tinha passado pelo almoço virtual de 6a feira Santa em família e queria me dar um outro aconchego nesse dia. Coloquei peças que tinham histórias de viagem (o tecido da calça veio de Paris, a camiseta de NY e a lã de Montevideo), arrumei o cabelo como de costume e passei batom vermelho. Em casa estou sempre descalça ou estou de chinelos quando vou na parte de fora. Então não tinha porque a foto do look ser diferente, rs.

Mula sem cabeça em tricô: Lã Arroyo – 100% Merino Superwash – da Malabrigo (Uruguai), na cor 247 Whale’s Road. Tecida com agulhas 4,5mm e acabamentos em crochê com agulha 2,5mm. Receita ensinada pela professora Solange durante as aulas na Novelaria.
Camiseta: Brooklyn General Store (NY, post da viagem aqui)
Pantacourt de Malha: molde da pantalona da revista Burda Portuguesa de 02/2012, tecido ponto Roma da Tissus Reine (Paris). Primeira aparição da pantalona aqui. Post da transformação da pantalona em pantacourt aqui

Hoje vejo os dois últimos anos como um grande movimento de ressignificar toda uma vida, passando pela minha relação com as pessoas, com a minha casa, com o meu trabalho e também com as roupas que fiz ao longo dos anos.

Feliz por, mesmo com a situação que estamos vivendo hoje em dia, encontrar aconchego nas minhas peças handmade e nas minhas memórias!

Look do Dia: Calça de Malha que virou Pantacourt!
Viagem com Costura: Brooklyn (NY)!
Um novo armário handmade para uma nova fase

Aiai… como é bom escrever sobre 2018 referindo-se a ele assim: no passado, rs! Eu tive um ano muito intenso. Em um determinado momento vi que, se eu não cuidasse do meu equilíbrio físico, mental e espiritual, eu ficaria ainda mais doente.

Explico: no começo do ano passado eu fui diagnosticada com gordura no fígado em nível moderado. Meu médico pediu na época que eu emagrecesse 20 quilos. Logo de cara, como eu pouco mudei os meus hábitos, eu não consegui. E não tem jeito, é gordura, tem que queimar e não deixar acumular mais. A diferença é que não está lá visível como uma pancinha, pneuzinho e tal…

Vieram os acontecimentos de junho em diante e eu fiquei muito mal fisicamente. Não conseguia comer ou comia e passava mal. A depressão e as crises de ansiedade ameaçaram a minha saúde por alguns meses. Ficaria um post inteiro aqui descrevendo os sintomas, mas vou me ater a dizer que perdi 8 quilos sem saúde nenhuma. Tanto é que eu repeti os exames e a condição do meu fígado não tinha mudado. Aí eu vi que tinha que fazer algo por mim. Fui caminhar com meus cachorros (no começo foi difícil pois me sentia muito fraca, mas depois peguei o embalo), cuidei da minha alimentação. Minha família me ajudou demais nesse processo, assim como algumas amigas maravilhosas também.

Perdi até agora (e espero não mais encontrar, hahaha) 18 quilos. Sendo os 10 últimos com mais saúde. Os últimos exames que fiz já mostram uma condição bem melhor. Ainda não estou 100%, mas em 2019 eu sei que chegarei lá. Passei a me sentir mais disposta e mais feliz por estar bem fisicamente. E não teve como isso não se refletir no exterior.

Cabelo novo

Isso tudo estava acontecendo e eu não me reconhecia mais ao me olhar no espelho. Em agosto eu já tinha ficado loira pois não estava mais com cabeça para manter o cabelo rosa. Em outubro, o mês da virada, eu cortei o cabelo. Foi só o corte, nem mexi na cor. Mas parece que, daquele dia em diante, eu me encontrei de novo fisicamente.

Voltei a usar batom vermelho (a melhor transgressão da minha cartela de cor totalmente fria e opaca, rs), salto alto, roupas mais curtas ou mais ajustadas ao corpo. Sei lá como explicar, essa mulher nova que estava pedindo para sair pro mundo faz tempo finalmente apareceu. Mais segura, mais livre, mais feliz.

Cabelo novo, a volta do batom vermelho e a blusa de seda mais amada!

Roupas novas (só que não)

Passei a olhar com outros olhos para o meu armário. Resgatei peças que não me serviam há tempos ou que eu não tinha mais vontade de usar, mas que ainda estavam lá dentro. Comecei a fazer novas combinações. E tenho colocado sempre que lembro (rs) nos Stories do meu Instagram.

Aqui vão algumas fotinhos de looks, algumas clicadas no espelho mesmo, sem complicação. Pois se tem uma coisa que eu prezo hoje em dia é que as coisas fluam sem complicação, sem produção demais!

(Clique em uma das fotos para ver em tela cheia)

Um armário para a vida nova e vida real

Como eu contei nos Stories dia desses (já me segue lá no Insta? É o @katialinden), esse exercício meu de postar looks da vida real, cheio de repetecos e peças que já tenho faz tempo no armário (lembra que não costurei uma roupa nova sequer em 2018 e tricotei algumas peças apenas?) me faz pensar como eu vivo em paz com meus princípios.

Eu faço o que amo, valorizo o que tenho (usando muito o que tenho, inclusive). Esse momento de mostrar as peças é mais sobre ser testemunho de que é possível construir algo com as próprias mãos, para usar muito e de acordo com a vida que a gente leva.

Não nasci para ter uma “vida de blogueira” apesar de ter este cantinho aqui como o meu diário de bordo, como sempre digo. Prezo demais por um estilo de vida feito à mão (pode ser pelas minhas ou pelas mãos de outras pessoas), que caiba dentro da minha realidade e me deixe feliz. Assim consigo passar minha mensagem adiante, seja aqui pelo blog, pelas redes sociais ou através das aulas ou consultoria.

Passar toda esta etapa a limpo por aqui me ajuda a dar os passos seguintes, pois tem muita ideia boa para ganhar o mundo!

Beijos e até logo menos!

9 Anos de Blog!
Reflexões durante o covid, Get Back e um coração em paz.
Katia Linden
Sou de São Paulo, publicitária de formação e várias outras coisas por admiração e escolha própria: feminista, mãe de cachorros, tatuada, amante de música, viciada em Grey's Anatomy, costureira, modelista, consultora de estilo e (também, ufa) autora deste blog.
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