Exposição “Arte na Moda: Coleção MASP Rhodia” – Eu fui!

Olá!

Eu queria muito ter colocado este post no ar enquanto a exposição ainda estava em cartaz, mas não consegui (sempre tenho tanto papo para colocar em dia, né?! Rs!). De qualquer maneira, preciso deixar registrado aqui no blog, porque foi muito legal! Eu visitei a exposição “Arte na Moda: Coleção MASP Rhodia” e adorei o que vi!

Contexto histórico

A Rhodia promovia apresentações incríveis em conjunto com estilistas e artistas plásticos para mostrar seus tecidos. Até onde eu li nas plaquinhas, eram todos tecidos de fibras sintéticas, já que a Rhodia é uma indústria química, que também está presente no setor têxtil. Estilistas e artistas brasileiros eram convidados a criar peças com estampas e modelagens exclusivas para estas apresentações.

As peças por conta disso eram únicas, lindas e super com a cara do Brasil e das décadas em que foram feitas. O acervo foi doado pela Rhodia ao MASP em 1972 e a coleção ficou esse tempo todo guardada, até que parte dela foi devidamente “desencaixotada” e ficou em exposição no museu entre outubro de 2015 até fevereiro passado.

A Rhodia continua no mercado de fibras têxteis (como poliamidas e tecidos inteligentes) até hoje, pena que não fazem mais os desfiles-show! Como ainda não existiam as semanas de moda como estamos acostumados a ver hoje em dia (e às vezes até cansados de ver, rs), tudo acontecia na Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil), que eu acho que ainda existe também, mas não com a grande visibilidade dos anos 60 e 70.

Na minha opinião, de quem observa como consumidora de tecidos e também de roupas prontas, essa diminuição da visibilidade da Feira seria explicada pelo fato que a indústria têxtil nacional certamente deve ter encolhido nos tempos de valorização do Real (e por isso tanta roupa de fora tem sido vendida aqui, assim como tecidos, comentei primeiro aqui). Mais uma vez, essa é uma observação minha, como consumidora de roupas prontas e de tecidos e de quem pesquisou um pouquinho por curiosidade para poder escrever este post.

Veja que, ao contrário do que vemos hoje, quem promovia o desfile era a empresa fabricante dos tecidos. Estilistas e artistas eram convidados para fazer peças lindas e criativas com eles e assim gerar demanda pelos tecidos ao explorar as possibilidades deles. Atualmente nós vemos várias marcas que desfilam as roupas que são criadas por seus estilistas, mas normalmente não ficamos sabendo quem fabricou o tecido utilizado.

Exposição

Enfim, voltando à exposição, muitas modelagens lindas, estampas incríveis em tecidos que deram conta do recado tanto no caimento quanto no efeito de cores e texturas. Várias peças poderiam sair hoje em dia nas ruas, sem o menor perigo de parecer datado e isso foi o que eu achei mais incrível!

Eu vou mostrar alguns dos modelos que eu mais gostei, preciso confessar que vi tudo, subi, tomei um café, sentei um pouco, desci e olhei tudo de novo, nos mínimos detalhes! #alokadomuseu
Separei aqui as fotos dos macacões (e uma saia-calça), pois ando meio que viciada neles. Alguns parecem vestidos, outros parecem conjuntos de duas peças, veja o tanto de modelagens maravilhosas!

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Na verdade, eu queria mesmo era colocar todas as peças aqui, mas o post ficaria gigantesco! Aqui vão mais algumas peças que adorei!

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Vestido curtinho com bordado de pedraria

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Esse vestido longo tinha um efeito visual lindo, composto pelos tecidos estampados sobrepostos!

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Blusa quimono maravilhosa!

Buscando mais informações sobre este acervo – como bem definido neste documentário, “é uma coleção de moda feita por artistas” – e sua história, encontrei esse documentário muito legal, contado por pessoas que viveram essa fase tão interessante da nossa moda!


Para quem não pôde visitar os modelitos pessoalmente, vale a pena assistir!

Inspirações

Eu adorei ver as modelagens, namorei as estampas e as peças com tecidos em camadas, criando efeitos muito especiais. Observei também os acabamentos, como os zíperes normais cobertos por vistas dos próprios tecido das respectivas peças, já que os zíperes invisíveis (que nem sempre gostamos de colocar mas que adoramos como eles “somem” nas roupas depois de prontas) foram inventados tempos depois.

Muitas saias-calça (ou shorts-saia? rs!), modelos fluidos, recortes bem posicionados, calças amplas, vestidos curtinhos, ou seja, muita variedade de modelagens para ver e se inspirar. Depois de visitar uma exposição dessas, a vontade é de sair fazendo várias modelagens e costurando loucamente, rs!

Saí da exposição super inspirada, louca para fazer um macacão com saia-calça bem estampadão, sabe? Espero concluir este projeto antes do inverno chegar!

Para ter mais informações aqui comigo, comprei o catálogo da exposição, com boas fotos e referências dos modelos expostos, além de contar a toda a história envolvida.

Espero que outras exposições voltadas à moda aconteçam em breve!

Beijos!

Look do Dia: Camiseta de Manga Comprida!
Look do Dia: Poncho de Lã!
Alinhavar é preciso!

Oi gente!
Esses dias estava tentando terminar um projeto de costura e me veio em mente o tema deste post.

Comecei a costurar faz cinco anos. Apesar de ser filha e neta de costureira, nunca tive vontade de costurar antes de engravidar, porque nunca tive paciência para muitos processos de costura, como por exemplo o alinhavo.
Como membro dessa nova geração de costureiras, gosto de tutoriais simplificados que utilizam técnicas simples. Ao invés do alinhavo, prefiro passar bem a ferro, de modo a poder fazer uma costura bem certinha. Mas nem sempre isso é possível, por isso repito pra vocês: alinhavar é preciso.

Não, não é perda de tempo, você não está atrasando seu trabalho em uma tarefa inútil, o alinhavo só vai garantir que sua costura fique reta e bem colocada, de modo a pegar todas as camadas de tecido e fechar a costura do jeitinho que você quer. Além disso, o alinhavo permite um excelente acabamento e foi justamente o que aconteceu no meu projeto.

Na primeira versão do projeto, juntei os dois tecidos, dobrados e vincados a ferro, alfinetei e passei a costura, resultado: um desastre! Além de não pegar o tecido de baixo, que ficou descosturado, o acabamento ficou muito ruim.

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O primeiro projeto e o problema que tive com a falta de alinhavo.

Então, decidi alinhavar neste segundo trabalho, como as mulheres da minha família sempre fizeram e voilá: a costura ficou ótima e o acabamento perfeito.

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O alinhavo em ação e o resultado bem lindo!

Fiquei bastante satisfeita, aprendi a lição e vim dividir com vocês: alinhavem, vocês não vão se arrepender!

Beijoca,
Ana

Look do Dia – Blusa com Mangas Morcego!
Reformei meu kimono de seda (com 10 anos de uso)!
Documentário “The True Cost” e uma reflexão sobre o consumismo craft.

Olá!

Hoje eu quero falar sobre um documentário que assisti, o “The True Cost”.

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The True Cost (traduzido: O Custo Real)

Sinopse

“Esta é uma história sobre a roupa. É sobre as roupas que vestimos, as pessoas que as fazem e o impacto que a indústria tem em nosso mundo. O preço do vestuário tem diminuído ao longo das décadas, enquanto os custos humanos e ambientais têm crescido dramaticamente. The True Cost é um documentário inovador que abre as cortinas sobre a história não contada e nos convida a pensar: quem realmente paga o preço por nossa roupa?

Filmado em países de todo o mundo, desde as passarelas mais brilhantes até as favelas mais escuras, com entrevistas com pessoas influentes e líderes mundiais, incluindo Stella McCartney, Livia Firth e Vandana Shiva, The True Cost é um projeto sem precedentes, que nos convida a uma viagem para abrir os olhos de todo o mundo e para a vida de muitas pessoas e lugares atrás de nossas roupas.”

(Extraído daqui. Traduzido e adaptado por mim)

 

Quem paga o preço pelas nossas roupas?

O documentário é impactante, mostra a verdade por trás da produção de nossas roupas. Para colocar a gente para pensar mesmo. Porque é uma realidade dura, a qual não podemos fechar mais os olhos. Eu tinha ouvido falar bastante deste documentário, assisti em dezembro, mas por não conseguir organizar meus pensamentos decentemente para escrever este post (rs), assisti novamente essa semana.

De início, imaginei que o foco seria sobre o trabalho escravo em oficinas de costura em diversos países, mas o documentário é bem mais profundo e fala não só deste aspecto (que é muito relevante), mas também de todas as etapas do ciclo de vida de uma peça de roupa, desde a produção da fibra têxtil, passando pelas oficinas de costura e vai até o descarte de roupas já sem uso.

Reflexões voltadas ao mundo craft

Desde que assisti o documentário, penso com frequência que há muito a ser feito. Todo mundo que costura tem um estoque de tecidos em casa e sabe-se lá como eles foram feitos, o quanto poluíram o ambiente ou o quanto prejudicaram a saúde das pessoas que os produziram até chegarem em nossas mãos. Um dos fatos chocantes mostrados no documentário é que indústria têxtil é a segunda maior poluente do mundo, atrás apenas da petrolífera. Mesmo fazendo a nossa própria roupa em casa, de maneira individualizada, também fazemos parte desta cadeia produtiva gigantesca.

Junte a isso tudo a dificuldade na hora de escolher vestir materiais naturais (como o algodão, um dos meus preferidos) e vestir menos materiais sintéticos (normalmente provenientes do petróleo), já que nos materiais naturais existe uma quantidade enorme de químicos prejudiciais à saúde que são usados no cultivo e no tratamento da fibra. Já que estamos falando de algo que praticamente todas as pessoas usam, as roupas, dá aflição pensar que a grande maioria atualmente não tem para onde correr, sabe?

Eu tenho me esforçado para comprar novos materiais apenas quando forem necessários e buscar fontes mais sustentáveis. Fiquei feliz de ter encontrado malhas de algodão orgânico em viagens, mas nunca consegui comprar algo do tipo no Brasil. Quero fazer uma busca nesse sentido e compartilhar o que eu encontrar com vocês também.

Um outro pensamento que passou a me incomodar muito e que é muito difundido em nosso mundo craft é que está tudo bem sair para comprar um tecido só e voltar para casa com vários (porque é bonito, porque está barato e etc). Temos que lembrar que ficar com tecido parado em casa é sinal de que a compra pode não ter sido boa, além representar dinheiro parado também.

Lá no fundo, a gente sabe que ninguém vai perder nada na vida se deixar de comprar aquele tecido ou aquela roupa “que agora que eu sei que ela existe eu não posso mais viver sem ela”. Lá no fundo a gente sabe que a gente não precisa tanto assim de várias coisas, a gente sabe que pode ser mais seletivo.

Isso aconteceu na viagem à Paris, quando acabei não visitando a loja que eu mais queria, contei no post sobre a feira que visitei lá. Já tinha feito boas compras na feira (e alguns tecidos já foram utilizados, conforme planejei), vi que elas me bastavam e me aquietei.

Uma outra coisa que passou a me incomodar: a gente, ao fazer a própria roupa, bolsa ou acessório, não está usando mão de obra em condições de escravidão, ok. Mas os nossos tecidos e aviamentos, de onde vieram? Em que condições foram feitos?

Com o câmbio favorável às importações nos últimos anos, a oferta de materiais nacionais para comprar diminuiu, o que me leva a crer que a nossa indústria têxtil deva ter encolhido muito com essa situação. Agora os materiais que usamos estão com os preços em alta, todo mundo deve estar notando. E se os nossos materiais continuam vindo de muito longe, ainda fica difícil saber mais sobre a origem dele em detalhe.

A cada peça nova de roupa que eu faço ou que compro, separo uma do meu armário que não estou mais usando. Normalmente destino para a igreja, que a vende em bazares ou dôo para alguém que se interessou por ela. Ainda assim, sei que em algum momento aquela peça virará lixo e como lidar com a geração de lixo é um assunto muito complicado em nosso mundo.

O descarte correto dos restos das nossas produções artesanais também precisa ser considerado. Quem de nós consegue produzir uma peça sem gerar nenhum retalho que vai para o lixo? E ele deve ir para o lixo mesmo? Os retalhos maiores de algodão eu separo para a minha colcha de hexágonos e o que eu não vou usar nela eu tenho doado para uma amiga professora que utiliza como material de educação artística em uma escola municipal do bairro. Mesmo assim, sei que tenho que melhorar esse aspecto também.

É um fato que o interesse econômico superou todos os limites humanos e naturais. E eu que achava que não era consumista vejo que ainda tenho um longo trabalho pela frente. Fico feliz que tenho este blog para passar essa mensagem adiante.

Convite

Enfim, esse post serve para convidar você para assistir o documentário (eu vi na Netflix e lá está legendado em Português), para pensarmos melhor sobre as nossas relações de consumo de roupas, tecidos e outros bens e também para buscar formas de melhorar tudo isso.

Beijos!

Look do Dia – Calça de Veludo Cotelê com Recortes!
Look do Dia – Vestido de Viscose para passear no Porto!
Katia Linden
Sou de São Paulo, publicitária de formação, professora de costura por paixão e escolhas da vida. Sou também várias outras coisas por convicção: feminista, mãe de cachorros, tatuada, amante de música, viciada em Grey's Anatomy, costureira, modelista, consultora de estilo e (também, ufa) autora deste blog.
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