Black Friday, Boxing Day e outras coisas que não nos pertencem
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O primeiro arco-íris, de lindeza dupla, de 2014.
Eu vi enquanto cumpria meu plano de corrida fora da academia (que eu cansei de pagar e não ir).
Foi lindo, inspirador e de graça

Olá!
Desde o Black Friday, no final de novembro, eu estou com esse assunto na cabeça, mas só agora eu consegui parar para escrever sobre os pensamentos que tive de lá pra cá, ainda mais porque um evento de liquidação na semana passada reforçou a impressão geral que eu já tinha.
Eu sou publicitária por formação, mas não me vejo usando esse conhecimento para incentivar o consumismo exagerado. Acho que a propaganda e a publicidade podem sim ser bem usadas para levar ao consumo consciente, mostrar para as pessoas que tem algo legal que será realmente bom para elas disponível no mercado.

Aí vem o Black Friday, que aqui no Brasil é uma data comercial sem sentido. Nos Estados Unidos o Black Friday é uma grande liquidação no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças, que nós não comemoramos por aqui.

Ou seja, sai o sentido muito legal do Dia de Ação de Graças, em que as pessoas se reunem em torno da mesa para agradecer o que de bom tiveram no ano e sobra só o consumismo. E aqui a gente sempre ouve das “pegadinhas” nos preços, toda vez.

“De leve”, teve lojista que tentou emplacar um Boxing Day, que é o equivalente internacional ao nosso bom e velho Saldão de Natal. Primeiro, que mal tem usar o nome de sempre? Porque ainda insistem em achar que o que é de fora é mais legal? Depois, será que estava barato mesmo?

Eu sei, eu também consumo uma porção de produtos e adoto uma porção de coisas de fora do Brasil no meu dia-a-dia, como os tecidos da Liberty, as muitas técnicas de Patchwork, as Tildas, o Furoshiki, muito em breve o Sashiko (uma técnica japonesa de bordado também usada para quilt). O que não faz com que eu queira parecer outra coisa diferente da que eu sou, entende?

Para mim, não tem festa mais bonita no Brasil do que qualquer uma das Festas Juninas, por exemplo. E eu não me empolgo nadinha em comemorar o Valentine’s Day (se for pra comemorar, que seja o Dia dos Namorados em junho mesmo, sem piração) ou o Halloween. Eu acho que a gente tem que comemorar o que nos pertence, principalmente quando isso não faz a gente comprar como doidos…

Ninguém mais lembra e nem comemora o dia de Cosme e Damião, reparou? Será porque não tem espaço na mídia por não levar as pessoas a comprarem nada, no máximo um saquinho de balas?

Que adianta comprar loucamente num Black Friday e correr o risco de não receber, de pagar caro achando que tem desconto de verdade mas não tem, de comprar algo por empolgação e depois ficar jogado num canto?

A gente tem que aproveitar as modas e as promoções para comprar o que a gente realmente quer ou precisa e sabe que vai usar depois. E não levar “gato por lebre”. Eu comprei um molde de uma blusa no Black Friday e comecei a fazer neste último final de semana. No momento da compra fiquei satisfeita pois comprei algo que eu queria há um tempo e sabia que o desconto era real. Pronto. No resto daquele dia eu tratei de fazer outra coisa.

Aí chegou o amigo secreto lá da Fon Fin Fan, alguns dias depois. Foi incrível. A proposta era de produzir um presente para levar na festa de encerramento do ano e sortear a pessoa presenteada na hora. Foi lindo ver pessoas com lágrimas de emoção nos olhos e com carinho enorme no olhar ao contar que fez o presente com amor e que o ano tinha sido especial. Era imensamente especial também ver a surpresa no rosto de quem ganhou e a satisfação de participar. Por essa bela iniciativa eu tiro o meu chapéu para as mestras Tati e dona Lucia.

Eu fiz o presente (que acabou indo para a Shirley) pensando que era algo que eu gostaria de ganhar e coloquei ali todo o carinho e capricho possível. Assim como eu sei que a Carolynne me presenteou da mesma forma com seu delicioso bolo. Fora o sentimento da não-obrigação de participar, sabe?

Para o Natal eu e o marido decidimos não comprar presentes extravagantes para as crianças, decidimos não trocar presentes e também presentear cada casa da família e alguns amigos com um Coração Divino. Fora que na família já temos um amigo secreto para trocar presentes de Natal e isso é mais do que suficiente.
Gastamos muito com isso tudo? Não. Foi fantástico? Com certeza.

Olha, cada um gasta o seu dinheiro do jeito que bem achar melhor, mas eu não engulo mais essas ocasiões criadas para as pessoas gastarem dinheiro sem pensar.

Fugi da correria das últimas coleções de estilistas famosos para as redes de fast fashion e não perdi nada.
Fugi das liquidações dos grandes lojistas e também não perdi nada.

Não troquei de carro com o apelo de 0% de IPI e não perdi nada.

No caso da moda, só vale a pena se estiver de acordo com o seu estilo, se for um bom achado para mostrar através da roupa quem a gente é (e não a roupa definir a pessoa). Fora que as remarcações sempre acontecem, é só ficar de olho. No caso dos magazines, se for para repor algo ou equipar em boas condições de venda a casa, ok.

Eu acompanhei por 3 dias (um dia antes, durante e um dia depois) os valores de uma máquina de overloque no Magazine Luiza, que fez uma Liquidação “Fantástica” na última 6a feira.

Sem entrar em detalhes de valores (eu já aporrinhei meus amigos do Facebook com isso, então chega, rs), o resumo da ópera era que depois da liquidação o preço final à vista era o melhor. E que o preço cheio era o mesmo da liquidação.

Os descontos foram mínimos e eu fiquei com a cara grudada no computador desde às 5h da manhã no dia da liquidação, esperando liberarem o site e esperando um belo desconto que não veio. E não comprei a máquina, mesmo no dia seguinte. Porque é muita sacanagem, com o perdão da palavra.
Eu não vou enlouquecer por não ter comprado a máquina, já me viro na costura há quase três anos sem ter uma, então eu vou continuar pesquisando.

Eu fico passada ao ler coisas do tipo:

“Quero comprar uma bicicleta ergométrica”, diz Olga, que prevê também levar um notebook. “Acho que vou gastar R$ 2.000, mas pode ser muito mais. Quando eu começo a gastar, meu filho, tenho até medo de mim.” (fonte)

De novo, cada um faz o que bem entender com o seu dinheiro, as pessoas que estão na fila da liquidação podem ter economizado o ano inteiro para isso. Mas… sei lá, a coisa toda está muito errada.

Eu me dei conta que não sou o público deste tipo de ação, consegui certificar isso no fim das contas.

No mesmo dia, depois de desistir desse negócio de liquidação, eu fui às lojas da região da 25 de março comprar materiais com uma amiga, já estava programado. Fui com lista preparada e praticamente não fugi dela (trouxe botões bonitos e neutros que vou acabar usando e dois tecidos a mais da lista, porque realmente valiam a pena pelo preço). Voltei satisfeita por ter trazido para casa coisas que sei que vou usar, a preços que considerei justos.

E lá na frente esses materiais vão render produções de costura que serão a minha cara e que valerão muito mais em termos de uso e identificação comigo mesma do que uma pilha de roupas escolhidas às pressas em uma liquidação só porque estavam baratas.

No fim das contas o que mais importa é que a vida segue tranquilamente quando estamos satisfeitos com o que temos e o que somos, certo?!

Beijos e muito juízo para nós todos!

13 anos de blog e sincronicidades
11 Anos de Blog!
Livro do mês – Furoshiki

Olá!
Voltando com os posts de Livro do Mês, vou contar do livro que comprei para continuar me aventurando numa técnica que amei aprender: o Furoshiki.

Meu primeiro contato com Furoshiki foi com as meninas do Superziper, em uma das oficinas que participei no último bazar Ógente. Sempre quis aprender e estou certa de que é muito útil saber usar os nós certos em quadrados de tecido para uma porção de coisas.

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Embrulho para caixa: meu primeiro Furoshiki. Amor desde o primeiro nó!

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Furoshiki na garrafa de vinho: embrulho e sacola ao mesmo tempo!

Alguns dias depois da oficina eu já estava procurando livro a respeito, como boa louca dos livros que eu sou, rs! Encontrei um livro em português (por ser uma técnica japonesa, era mais provável que eu encontrasse títulos que não fossem em português) e logo me joguei nele.

Logo de cara “embrulhei” uma florzinha de R$ 2 que comprei no supermercado para enfeitar meu quartinho de costura, porque ninguém merece aquele vasinho de plástico preto sem graça, né?! Usei uma das sugestões do livro e achei bem fácil de executar!

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“Capa” para vaso em Furoshiki.
Note que usei o mesmo tecido que ganhei no dia da oficina, reaproveitamento total!

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Furoshiki (pronuncia-se furô-xiquí) é uma expressão japonesa que designa um pano quadrado, cuja função é a de acondicionar e transportar mercadorias e pertences pessoais.Diante da necessidade de cuidarmos do planeta, mesmo tendo uma história de mais de 400 anos, o furoshiki tem uma mensagem atual. Ele simboliza a esperança de que podemos deixar um mundo melhor para as futuras gerações. Basta cada um fazer a sua parte.

Sim, eu adorei a ideia de que o Furoshiki é mais que usar um tecido quadrado para acondicionar algo. Todo mundo tem mesmo que pensar no reaproveitamento dos materiais e do bom aproveitamento de cada coisa que colocamos dentro de nossas casas. Acabei por enxergar que o Furoshiki torna isso possível de uma forma prática e bonita.

Quanto ao livro, há uma introdução sobre o Furoshiki e dois pontos muito legais: como dar acabamento no tecido que vai ser usado (que eu conheço por canto mitrado, o mesmo usado nas barras de toalha de mesa) e também sugestões de tamanhos conforme o que vai ser embrulhado. Isso facilita muito na hora de cortar o tecido e também para poder ter alguns guardados prontinhos!

O livro também tem explicações (através de ilustrações) de como fazer alguns nós e também como se desata – esse é o segredo, pois o nó feito corretamente suporta peso mas é fácil de ser desfeito quando preciso.

Aí vem as formas de uso, que eu vou listar:
– Boina (para ilustrar o nó de uma ponta), fica parecendo uma touquinha.
– Embrulhos (15 tipos, com nós e finalidades bem variados)
– Capa para livro
– Bolsa para carregar dois livros
– Bolsa para notebook
– Para levar garrafa d’água
– Para transportar panelas
– Decoração de cestas
– Decoração para caixas e vasos retângulares
– Decoração para vasos de plantas (2 tipos)
– Bolsas (12 tipos)
– Para transportar marmita
– Bolsa-blusa-pochete (em uma peça só)
– Bolsa para objeto redondo (dá para embrulhar uma bola, coisa difícil de fazer com papel)
– Bolsa feita com canga (deve ser uma maravilha para usar na praia, vou testar!)
– Embrulhos decorativos em forma de coelho, hipopótamo, baleia (uma graça!), peixinho dourado.
– Flor de Furoshiki
– Luva de Furoshiki
– Bolsa para chinelos
– Bolsa sacola azuma e bolsa Furoshiki kinchaku (essa são um pouco diferentes das demais, pois utilizam costura)
– Guirlanda com Furoshiki (quem vai fazer no próximo Natal levanta a mão?!)
– Sling para bebê

 
Sobre a flor de Furoshiki: eu aprendi na oficina, tinha levado uma bandana de algodão e um lenço grandão de seda para treinar. Fiz a flor com o lenço de seda, ficou bem bonita mas enorme. Adivinha se eu não coloquei a flor na cabeça para fazer graça?! Rs! #aloka

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Não, eu não fui embora com ela na cabeça, mas numa versão menor eu teria ido, rs!

Ufa! Quanta coisa para se fazer com tão pouco material!

Adorei e quero usar muito!

Beijos!

Serviço:

Livro: Furoshiki – Simples, divertido e bonito
Autora: Letícia Yabiku
Editora: Komedi
Ano: 2012

Look do Dia – Vestido de Viscose para passear no Porto!
13 anos de blog e sincronicidades
Costuras da Semana!

Olá!
Apesar de ter um cantinho ainda sem arrumar, depois de muitos dias limpando e arrumando meu quartinho, dei soluções simples para um tanto de coisas. O quartinho está cada vez mais aconchegante, uma delícia! Aí deixei a semana que passou para me dedicar à minha querida colcha.

A colcha caminhou bastante, terminei todas as rosetas que eu tinha para fazer. Falta pouco, estou empolgada! Agora tenho que terminar de preparar mais hexágonos estampados e aí fazer as ultimas rosetas necessárias. Saldo de rosetas estampadas até o momento: 91 (de 95).
Os últimos retalhos que entraram foram estes:

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Tecido de floresta do meu vestido de madrinha
Tecido florido amarelo da almofada de crochê
Tecido florido do meu macacão de verão
Tecido de pêras da minha saia godê

O próximo passo será produzir os hexágonos brancos que servirão de entremeio das flores e eu ainda preciso comprar este tecido (e preparar mais hexágonos de papel também). Devo aproveitar para comprar o material do forro e das bordas também, assim terei tudo à mão a para as novas etapas.

Nas últimas rosetas eu me pego pensando toda hora “é sério que essa etapa está acabando?”, uma sensação muito boa.

Andei com muita vontade de começar a fazer alguma peça de roupa que esteja “na fila” e consegui me conter até 5a feira passada. Cortei uma blusa linda da Colette Patterns, o modelo Sencha. Costurei uma boa parte, mas não cheguei aos finalmentes. Como falta pouco, logo devo mostrar prontinha por aqui.

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Blusa linda!
Só a parte de cima da minha blusa que farei diferente, de outra versão do molde.

Na 5a feira eu fiz um post sobre o ferro de passar, lembra?

Pois bem… eu tinha deixado este post prontinho há alguns dias, programado para ser publicado na 5a feira. Não é que na véspera eu estava passando roupa (e derretendo junto) e meu cachorro mais velho estava correndo bem feliz por perto, chutou o fio do ferro duas vezes em seguida (não contente em aprontar uma vez, ele aprontou duas) e o ferro mais novo quebrou?

Pois é, para o ferro ligado não ir parar no chão com os tropeços/chutes do cachorro, eu segurei o ferro e o fio foi puxado duas vezes, chegando a tirar o ferro da tomada. Gente que tem cachorro fofo mas um pouco bruto vai entender, rs!

Lá fui eu pegar o ferro reserva para terminar.A frase do post “Fora que, se um deles queimar, tem outro para recorrer, sabe?” nunca me pareceu tão válida. O jeito é levar o ferro mais novo para o conserto, né?!

Beijos e boas costuras!

Look do Dia – Blusa com Mangas Morcego!
Reformei meu kimono de seda (com 10 anos de uso)!
Katia Linden
Sou de São Paulo, publicitária de formação, professora de costura por paixão e escolhas da vida. Sou também várias outras coisas por convicção: feminista, mãe de cachorros, tatuada, amante de música, viciada em Grey's Anatomy, costureira, modelista, consultora de estilo e (também, ufa) autora deste blog.
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Um manifesto para 2022
Vencendo a minha maior resistência: vender!