Tchau, Astor!

Estou escrevendo este post para contar que meu filhote Astor partiu na última 4a feira. Depois de lutarmos desde janeiro contra o câncer que ele tinha, chegou a hora do meu anjinho descansar lá no céu.

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Eu tinha programado posts de assuntos normais aqui no blog, para ontem e para hoje. Mas eu não vou conseguir publicá-los agora. Porque o que eu tenho na minha cabeça agora é apenas a lembrança boa desse companheiro incrível e uma saudade enorme, que dói demais. Não seria verdadeiro comigo mesma nem com você que lê o blog tratar como se nada estivesse acontecendo por aqui.

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Por enquanto, estou me dando um tempo para me ajustar à rotina sem ele, para chorar, para lembrar dos seus lindos momentos com a gente. Luke, o irmãozinho mais novo, o procura pela casa, é muito triste quando vejo isso acontecer. Preciso cuidar dele também. Minha família inteira está muito abalada, porque todos nós perdemos um membro muito amado.

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O blog ficará sem posts novos por alguns dias, até que a costura volte a ser minha maior terapia e eu esteja bem para contar aqui.

O Astor adorava ficar do meu lado enquanto eu costurava. Ele era um amor e não bagunçava nada, em qualquer lugar da casa. Apesar do meu quartinho de costura ser pequeno, ele sempre parecia confortável lá. Dormia um monte enquanto eu acelerava a máquina, aí acordava depois de um tempo e dava uma choradinha de manha para me chamar. Ele sempre foi muito carinhoso e manhoso. Eu parava o que estava fazendo, dava um beijo nele, olhava bastante para aqueles olhos grandes, espertos e meigos, dava um cafuné e conversava um pouco com ele. Aí ele dormia de novo. Dias assim eram dos mais simples, mas eram dias que enchiam meu coração de alegria.

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É um amor que eu nunca imaginava experimentar na vida, até que o Astor passou a fazer parte de nossa família, em 2003. É não fazer diferença se você é bonito ou feio, gordo ou magro, se tem grana ou não, se tem o trabalho “x” ou “y” e assim por diante. O que importa é apenas o amor, é um cuidar do outro. Ele era só amor e eu aprendi muito com ele nesses quase 12 anos.

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A saudade dói demais, mas sei que uma hora eu vou conseguir costurar sem que ele esteja ao meu lado e aí eu estarei aqui de volta para contar.

Beijos!

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11 Anos de Blog!
Um salto no tempo

Olá!

Colocar as mãos para construir algo “do zero” realmente engrandece. Dá poder.

Eu não sou a rainha da auto estima. Como todo mundo, tenho uma porção de defeitos, uma porção de coisas que me fazem sentir inferior, um tanto de limitações. Sou uma pessoa que passa muito tempo do dia sozinha. E quando os tempos estão difíceis, os problemas fazem os meus pensamentos irem looonge e nem sempre volto com uma solução. Quem nunca se sentiu impotente?

Mas quando estou com um projeto nas mãos, eu sou eu mesma. Sou uma pessoa capaz de realizar aquilo, por mais que tenha alguma dificuldade para superar. Por mais que tenha de desmanchar e refazer mais de uma vez. Não tem problema se estou sozinha. Não deixei de praticar a costura por quatro anos seguidos, porque é uma chama que felizmente nunca se apagou.

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Post de 04/04/11, resgatado do meu Twitter. Sei lá se mandei bem nessa primeira aula, mas que saí dela orgulhosa de mim mesma eu saí!

Quando eu postei essa imagem vinda do Timehop, um aplicativo que “fuça” suas redes sociais e recupera posts de exatos 1, 2 ou até 5 anos atrás, tudo isso me veio à cabeça.

Compartilhei e mencionei como aquele primeiro passo com a Patricia, lá no apartamento dela em Pinheiros, mudou a minha vida. Nesse tempo conheci um monte de gente legal que acredita nesse poder de transformar um material em algo único e que esse processo te engrandece de volta. Nesse sentido, foram 4 anos muito intensos, como eu nunca tinha vivido!

Recebi um monte de carinho de outras pessoas que trilharam esse mesmo caminho, foi incrível!

Eu ainda não posso dar detalhes, pois estou planejando tudo, mas posso dizer que este ano será aquele de “dar um passo adiante” e eu estou muito feliz por poder aproveitar uma grande oportunidade na minha vida de costureira.

E como eu acredito muito que coincidências não existem e que essa época do ano é a que as coisas mais legais são descobertas, olha o que me apareceu no dia seguinte:

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Post de 05/04/13, resgatado do meu Instagram, quando visitei a Fon Fin Fan pela primeira vez. Lembro que saí de lá encantada com a possibilidade de costurar perto de casa! Na época eu disse que era um “oásis da costura” e eu acho que continua sendo!

Estou começando a concluir que esta época do ano representa uma fase de transformação para mim. Notei que alguns passos que dei ou descobertas que fiz (e que acabaram mudando o rumo da minha vida) aconteceram nessa parte dos anos anteriores.

Eu sou muito grata por esse tempo tão legal e tão produtivo e espero num futuro próximo ver os resultados do que está acontecendo agora, mais passos para transformar materiais à nossa maneira e para contribuir com a nossa força e personalidade!

Beijos e boas costuras!

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Calma e concentração

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Eu comecei a escrever este post no sábado de manhã, horas antes da segunda sessão de quimioterapia do Astor. Ele é um bichinho muito sensível e, por isso, estamos procurando segurar a onda e manter a rotina dele (e nossa também) a mais próxima possível do normal.

A primeira sessão foi muito difícil para ele, para mim e para o marido. Era tudo novo, nós dois estávamos ansiosos e ele sentiu. Então, neste intervalo de três semanas entre as sessões, a gente procurou se acalmar, lembrar o que deu certo e também o que não deu certo. Pelo menos o fator novidade já não é mais presente, o que já ajuda muito.

Estou começando o post de hoje com estas palavras porque semana passada resolvi terminar um par de jogos americanos que estavam parados desde o final do ano passado. Eu sabia como terminar, mas fui passando outros projetos na frente, de vez em quando acontece, né?!

Quando peguei para terminar, aproveitei que costurar sempre requer concentração, ainda mais na hora de fazer os acabamentos, que era bem onde o projeto tinha parado. Assim mantenho a respiração calma e os neurônios trabalhando direito. Para deixar o viés bem colocado ou fazer o quilt na vala o mais bem feito possível, só com calma e concentração mesmo.

E assim meus meninos dormiram tranquilamente enquanto eu costurava. Logo consegui terminar e fiquei bem feliz com o resultado. Nesta semana, eu e o marido estamos sempre por perto por conta dos efeitos colaterais que podem aparecer, então manter a paz dentro de casa também ajuda a respirar fundo e ajudar o Astor caso ele precise.

Na época da primeira sessão eu não consegui costurar nada pois não conseguia desgrudar os olhos do Astor. Eu quase não dormi. Fiquei muito nervosa (e confesso que com medo também) e ele percebeu. Ou seja, não ajudou em nada numa hora delicada.

A oncologista explicou na primeira consulta que uma das maiores diferenças entre tratar um bichinho e tratar um ser humano com câncer é que o bicho não tem que lidar com o fator psicológico. Ele não sabe que está doente. Ele sabe que um tempo atrás ele teve um mal estar enorme e que passou (pois foi operado e se recuperou bem). Depois disso, ele sente que está sendo mais bajulado, pois a gente naturalmente faz isso por saber que ele está doente e que tem um tratamento pela frente. Ou seja, o fator psicológico fica todo com a gente, a gente é que tem que lidar com isso.

Graças a Deus que eu tenho a costura na minha vida, pois manter as mãos ocupadas e a mente centrada sempre me ajuda. Enfim, tudo o que está acontecendo na minha família (porque o Astor e o Luke são nossos filhos, ainda que sejam cachorros) é mais um aprendizado para todos nós. E, mais uma vez, viver um dia de cada vez, cercado de quem a gente ama e também do que a gente ama fazer faz toda a diferença.

Beijos, boas costuras e respiração calma para todos nós.
Katia

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Katia Linden
Sou de São Paulo, publicitária de formação, professora de costura por paixão e escolhas da vida. Sou também várias outras coisas por convicção: feminista, mãe de cachorros, tatuada, amante de música, viciada em Grey's Anatomy, costureira, modelista, consultora de estilo e (também, ufa) autora deste blog.
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