Por que costurar as próprias roupas?

Olá!

Quando a Tati me convidou para dar aulas de Corte e Costura na Fon Fin Fan (já viu o post sobre o primeiro projeto que vou ensinar? Está aqui!), eu imaginei que poderia passar algo a mais do que só chegar lá no ateliê com os moldes na mão e mandar ver na produção da peça em questão junto com as alunas.

Algumas coisas eu vou compartilhar aqui também, como a minha reflexão (totalmente pessoal) sobre a pergunta do título do post.

A gente vive num mundo de muita oferta de roupas. De tudo que é modelo, tecido e cor, também de uma grande variedade de preços. E ainda assim é muito possível não achar algo que sirva ou que tenha o caimento legal o suficiente para nos deixar contente.

Comecei a escrever este post no shopping, semana passada, depois de comprar meias para fazer pilates (eu gosto mesmo é de fazer descalça, mas está esfriando e logo nos pés é onde sinto mais frio). Aproveitando que estava lá, dei uma circulada em algumas lojas e provei algumas roupas.

Apesar de ter emagrecido um bom tanto nos últimos meses, boa parte das roupas do shopping ainda não me serve, principalmente na parte de baixo. Experimentei três calças diferentes e nenhuma me serviu. Experimentei uma saia de couro (ando com ideia meio que fixa de ter roupas legais de couro neste inverno), que até serviu mas não ficou legal, tinha que ser um tiquinho maior para marcar menos a barriga. Comprei um shorts bonito e bem acabado, mas está justinho e estou contando com alguns quilos a menos no próximo verão para aproveitá-lo bem, apesar de já ter usado assim mesmo no final de semana.

Quero, por exemplo, uma calça vinho para usar neste inverno. Ou a calça não servia ou eu não gostava da tonalidade (tem vinho que, pra mim é tão fraquinho que chega a parecer um rosa e eu quero um vinho bem escuro e forte, tipo a cor Marsala que tanto se fala ultimamente).

Estou dando estes exemplos recentes pois, em outros tempos, era provável que eu saísse chorando, porque nada me serviu e eu queria apenas me dar um agrado. Ano passado isso aconteceu comigo, quando procurei muito por um macacão jeans e não consegui comprar. Chegou um momento em que resolvi deixar de lado, pois ter ou não ter uma roupa não pode significar tristeza ou sofrimento.

Na verdade, atualmente eu acabo saindo das lojas com ideias do que costurar, pensando onde posso buscar os moldes e tecidos ideais para o que eu tenho imaginado. Quando eu volto para casa eu repasso as cores e as modelagens que chamaram a minha atenção (mas que as peças prontas não eram ideais por algum motivo) e vou atrás de fazer isso do meu jeito.

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Inspirações de cores para o outono/inverno.

E não pense que isso de costurar as próprias roupas só se aplica para quem está acima do peso como eu: também se aplica às pessoas magras ou bem pequenas, que têm problemas com os menores tamanhos, com quem está dentro da grade “normal” mas não encontra nada que agrade.

Para mim, roupa, cabelo e maquiagem é o equivalente a brincar de boneca para uma mulher adulta. A cada dia a gente pode ser o que quiser e a coisa que mais estraga a “brincadeira” é não encontrar algo que agrada. Sim, para mim o processo de vestir tem que ser uma grande brincadeira, tem que ser divertido e servir para facilitar a nossa vida e não limitar ou entristecer.

Procuro moldes e depois os tecidos. Primeiro eu vejo se tenho em casa, só depois disso eu vou na loja de tecidos com uma lista bem definida. E como eu não me prendo muito a “modinhas”, o tempo para fazer isso tudo inclusive faz com que eu decida se eu preciso mesmo daquela peça. Já desisti de projetos que eu achava que seriam imperdíveis, mas que não eram no fim das contas.

Esta é só uma parte do que me faz costurar minhas roupas. A principal delas é a auto-estima. Quando eu uso uma roupa que eu mesma fiz, por mais simples que seja, ela é muito especial, é única e eu me sinto muito bem por ter feito a peça e sair usando para viver a minha vida. Uma simples blusa de moletom (por mais que o modelo seja diferente do “basicão”) passa a ser a blusa de moletom mais legal que eu tenho.

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Top de moletom feito por mim. Foi rápido de fazer e o resultado me deixou mais feliz do que qualquer coisa comprada no shopping.

Fora que o exercício de auto-estima começa bem antes de usar a peça pronta. Ele começa no aprendizado da costura, quando a gente começa a se entender com os moldes, com os acabamentos, com a escolha dos tecidos e dos projetos a serem costurados. Cada etapa aprendida e realizada sempre me deixa muito feliz. A peça prontinha para vestir é uma consequência do exercício todo e sair com ela vestida, feliz da vida, é o que completa a experiência toda. Ficar bonita, vestir algo único e feito através das nossas próprias capacidades e das nossas próprias mãos é bom demais!

Encerro este texto com esta citação vinda do Instagram da McCall Pattern Company, uma empresa super tradicional de moldes:

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“Eu não estou aqui para ser mediana.Eu estou aqui para ser incrível.E é por isso que eu costuro minhas próprias roupas.”

Eu estou aqui para ser incrível!

E você?
Beijos e costuras incríveis!

13 anos de blog e sincronicidades
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“A vida não tem feriado” ou… um post para contar novidades!

Eu li a frase que coloquei como título deste post num tapume de um terreno na Teodoro Sampaio. Não sei quem é o autor, mas acho muito verdadeira. A gente não pode esperar o próximo feriado, o próximo fim de semana ou as próximas férias para fazer algo diferente ou significativo na vida.

A vida acontece todos os dias, seja a vida que a gente escolheu viver ou a vida que a gente deixou acontecer pra nós mesmos.

Nos tempos de faculdade, meu sonho era estagiar numa empresa grande. Se fosse gigante, melhor ainda. Lembro dos processos seletivos de mil etapas que participei, das dinâmicas de grupo que eu nunca entendi (desculpe quem é de RH, mas esta é a minha visão de participante, de quem viu coisas muito forçadas acontecendo nessas ocasiões).

A gente tenta esse caminho porque parece ser o melhor (e quase que o único) a seguir, de estudar para fazer carreira em uma multinacional.

No momento certo do curso, estagiei na área de Marketing de uma multinacional de tecnologia da informação. Foi um período de um ano e meio muito bom, onde aprendi muito mas não tinha maturidade suficiente para equilibrar a conclusão do curso (a qual me dediquei 200%) e o trabalho, por isso não fui efetivada.

Foi a minha primeira grande decepção no mundo corporativo. Gente, eu estava me matando de estudar exatamente para absorver o máximo de conhecimento e usar isso tudo no trabalho, ao menos era esse era o meu pensamento. Continuei na luta por alguns anos trabalhando em outros lugares, sempre com a sensação de não conseguir me encaixar.

Hoje eu vejo como não se aposta numa educação voltada para o empreendedorismo, o modelo atual é feito para formar montes de pessoas todo semestre nas faculdades para que elas sejam empregadas em grandes empresas. Também não se valoriza o ensino técnico, tido por nossas bandas aqui como algo de menor valor. Só que: 1. não tem vaga para todo mundo nas grandes empresas; 2. o formato do ensino acadêmico não funciona pra todo mundo.

Enfim, tempos depois fui dar aulas – de Marketing e Vendas – e nossa, que sentimento bom! Usei meu conhecimento e meu tempo de mercado para algo que considero maior: compartilhar, passar o que sabemos adiante para que outras pessoas aproveitem em suas vidas (e em seus negócios, neste caso).

Depois de ter saído da área de Marketing, só senti novamente essa realização aqui com o blog, já que este é um espaço onde posso compartilhar de tudo um pouco sobre costuras e manualidades, sobre o cotidiano de uma atividade que acabou mudando a minha vida nos últimos anos.

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Feito pela Lu Gastal, fica na porta do meu quartinho. Para lembrar todos os dias!

Desde 2011, eu fui aprendendo a costurar e produzi no meu tempo e do meu jeito, procurando aproveitar ao máximo essa fase. Eu sabia que em algum momento eu passaria a trabalhar com a costura de alguma forma, de preferência não produzindo para vender (escrevi sobre isso aqui).

Foi quando no começo deste ano surgiu o convite da mestra Tati para eu dar aulas de corte e costura na Fon Fin Fan. Era o que eu imaginava fazer para passar a trabalhar com costura! Aí que eu vi que uma grande coisa estava para acontecer, enquanto eu vivia a minha vida de todos os dias.

E, em mais um capítulo da novela da minha vida “coincidências não existem”, no mesmo dia em que comecei a escrever este post – estou “matutando” este texto há tempos! – eu li este texto. Daqueles que a gente lê e pensa que gostaria de ter escrito, tamanha a identificação.

Até eu começar a costurar, a minha vida era essa aí do texto. Eu às vezes não me dou conta do quanto eu consegui direcionar a minha vida para um outro caminho, apesar de sim, ainda estar presa a algumas “convenções” dessa nossa geração.

Nestes primeiros meses do ano, eu vivi momentos muito difíceis juntos de momentos muito bons. Enquanto estávamos na luta pela saúde do meu Astor, surgiu o convite da mestra Tati para eu dar aulas. Entre sessões de quimioterapia, consultas e dias em casa cuidando do meu bichinho, pesquisamos métodos, formatos de aulas, materiais, estrutura.

Meu Astor partiu em abril e isso realmente me marcou e ainda dói muito. Não tem um dia sequer que eu não pense nele. A saudade é enorme! E provavelmente eu não fiquei ainda pior com a perda do meu filhote porque eu tinha esse plano para tocar. Era a minha maior motivação para seguir em frente.

Tati, Wagner e dona Lucia respeitaram o meu tempo de correria com o Astor e respeitaram o meu período de luto, eles confiaram em mim. E por isso eu só tenho a agradecer! Vi ali que são parceiros incríveis com quem desde o começo tem sido incrível trabalhar e amigos muito queridos também.

Depois de tanto blá-blá-blá (rs), porque eu queria mesmo contar tudo isso antes, eu anuncio oficialmente que a partir de junho eu estarei à frente das oficinas de corte e costura na Fon Fin Fan. Desde o começo do ano o ateliê está dedicado somente aos cursos e oficinas, aumentando inclusive as opções. Preciso contar tudo num outro post!

Serio, é o trabalho que eu pedi a Deus: pertinho de casa, num ambiente super gostoso (eu comprovo isso sendo aluna há dois anos) e com pessoas incríveis.

Tive a liberdade de montar as aulas do meu jeito onde vou passar como lidar com moldes, escolher tecidos, preparar as peças e dar um bom acabamento para elas, além de dicas de estilo (sim, porque a gente tem que tirar proveito máximo das roupas que fizemos com tanto carinho).

Vou fazer logo um super post sobre os cursos da Fon Fin Fan mas, desde já convido todo mundo a curtir a página do ateliê no Face e conferir as informações dos cursos no site. Quem sabe a gente não se encontra por lá, né?!

É um recomeço maravilhoso na minha vida, estou muito animada e ansiosa. Estou também muito feliz por compartilhar isso com você que sempre lê o blog!

E bora costurar ainda mais!

Beijos e boas costuras!

OBS: As minhas aulas de corte e costura na Fonfinfan aconteceram apenas em 2015. A partir de 2016 uma nova professora assumiu as aulas, com um formato próprio. Para maiores informações, entre em contato com a Fonfinfan.

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Obrigada!

Olá!

Aqui estou eu de volta. A rotina está diferente por aqui e nós ainda vivemos o luto pela perda do nosso amado Astor. Ele faz muita falta e tem horas que dói muito a ausência dele. Sei que ele está em um bom lugar agora, olhando por todos nós aqui e sem ter dor ou sofrimento.

Depois que ele faleceu, eu fiquei quieta em casa o tanto que julguei necessário, chorei muito, agarrei bastante o Luke (ele também ficou bem triste, tadinho). Por alguns dias eu não me preocupei em fazer as muitas coisas que ficaram paradas. Até vestir preto na primeira semana eu vesti, porque ao abrir o armário as cores estavam coloridas demais para mim.

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Voltando a sorrir.

Desde então, recebemos tanto amor e tanto carinho! Foram muitas mensagens, visitas e ligações das mais sinceras. Muitos abraços apertados e sentimentos de respeito e solidariedade pela nossa perda. Isso nos ajudou, nos emocionou e confortou muito, eu só tenho a agradecer em nome de nós três!

Entrei no meu quartinho algumas vezes e não quis costurar. Continuei os meus novos projetos bem mais devagar. E então resolvi respeitar esse meu tempo de luto.

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Projeto novo.

Até que um dia eu entrei no meu quartinho para pegar meus materiais para a aula de Patchwork. Foi o único dia em que costurei nestas duas semanas. E fiquei feliz de poder ir lá na Fon Fin Fan costurar com outras pessoas tão legais. Acelerei a máquina e ri bastante, eu estava precisando desse empurrãozinho! Semana que vem eu mostro um pouco do projeto novo das aulas.

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A única costura em dias, lá na aula de Patchwork.

Em casa, a vontade de costurar simplesmente não aparecia. Fiz uma arrumação no meu quartinho, pois mesmo se a vontade batesse, a bagunça era tanta que não daria para costurar. Aliás, ainda não dei conta da bagunça toda, espero resolver isso ainda esta semana.

Mas depois de um passeio na última feira de Patchwork e numa loja de tecidos que gosto muito, voltei para casa com tecidos novos e com vontade de dar um destino rapidinho para eles. Então com certeza logo voltarei a costurar em casa.

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Feira de Patch, com Andrea Risério e Lu Gastal, sempre muito queridas!

Neste último feriado eu bolei um pequeno desafio de looks, o que mostrou para mim mesma que já estava na hora de retomar as atividades do blog. O marido pacientemente fotografou tudo (tks, Ri!). Por conta disso, fiquei mais animada e consegui não vestir só roupas pretas. Logo mostrarei por aqui.

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Feriado com Luke preguiçoso e looks feitos por mim.

Na 3a feira jogamos as cinzas do Astor no caminho em que ele passeava todos os dias. Foi emocionante, mas tranquilo. São Pedro mandou uma chuva daquelas, mesmo assim conseguimos nos despedir como eu imaginei que seria.

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Tchau, Astor. Agora você está no seu lugar favorito.

Enfim, estou retomando as atividades do blog a partir de hoje, ainda que num ritmo mais lento, pois com tudo o que aconteceu, estou muito atrasada com os estudos de alemão e duas provas para fazer nas próximas semanas. Depois que este assunto estiver em ordem, vai ter post todo dia.

Beijos, obrigada pelo carinho mais uma vez e boas costuras!

Look do Dia – Vestido Envelope com Drapeado!
Look do Dia – Calça de Veludo Cotelê com Recortes!
Katia Linden
Sou de São Paulo, publicitária de formação, professora de costura por paixão e escolhas da vida. Sou também várias outras coisas por convicção: feminista, mãe de cachorros, tatuada, amante de música, viciada em Grey's Anatomy, costureira, modelista, consultora de estilo e (também, ufa) autora deste blog.
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