Um manifesto para 2022

Faz tempo que escrevi esse texto. Em 2020 eu fiz um curso que colocava as mulheres como protagonistas das manualidades e eu me encantei (e me revoltei também, pois a história patriarcal fez com que as manualidades produzidas por mulheres perdessem o valor, algo que estamos retomando).

Em uma das aulas, fui escrevendo um rascunho deste manifesto, que ficou guardadinho aqui. E foi incrível revisitar, sigo acreditando em cada palavra. Enfim, este é o meu manifesto por uma vida cercada de manualidades e de mulheres que se apoiam!

Manualidades, um saber feminino e ancestral

Retomar o fazer manual como algo feminino e ancestral e trazê-lo para o protagonismo da vida cotidiana, proporcionando autonomia para as mulheres e tirando proveito de todos os recursos da tecnologia para isso.

Conhecer o processo manual do começo ao fim, contrariando a fragmentação trazida pela industrialização e pela produção em massa e assim poder transmitir este conhecimento a outras mulheres, aproximando todas nós.

Trazer de volta o hábito dos círculos de mulheres que compartilham seus fazeres manuais, para produzirem juntas de novo. O resultado desta troca será de mais conhecimentos compartilhados, de vivências terapêuticas e, por que não, financeiro também.

Colocar em evidência nossas qualidades femininas intrínsecas de atenção aos detalhes, de ver a beleza nas coisas comuns, do conhecimento dos processos artísticos, do apreço pela arte. Voltar para as manualidades faz com que a gente coloque tudo isso em movimento de novo, ainda mais se abandonamos ao longo dos anos em que as mulheres buscaram o mercado corporativo ou mesmo abandonaram o fazer manual como algo prazeroso por ter sido imposto para que elas fossem “mulheres prendadas” e aprisionadas nos afazeres domésticos, há muito tempo desvalorizados.

As mulheres artistas trabalham coletivamente, sempre. Mesmo que precisem dividir a sua presença em seus múltiplos papéis.

Em tempos de distanciamento social, as manualidades acabaram sendo uma forma de produzir arte dentro de casa, com as próprias mãos, para proporcionar aconchego em tempos difíceis e criar uma conexão com outras mulheres artesãs. E agora, podemos estar reunidas também presencialmente de novo.

Mulheres não costumam jogar nada fora. Nem seus materiais, nem seus conhecimentos, nem sua ancestralidade feminina. É tempo de fazer manualidades por escolha própria, não por obrigação. É tempo de se conectar de novo com outras mulheres através do fazer manual. É tempo também de transformar as manualidades em instrumento de autonomia, seja pela roupa feita pelas próprias mãos do começo ao fim, o bordado subversivo que enfeita a casa, a almofada que acolhe na hora de ver uma série tomando uma taça de vinho.


Eu me apropriei deste conhecimento todo adquirido em um ambiente muito feminino ao longo de quase 11 anos para ensinar a costurar. Entendi que o meu trabalho é valorizado por outras mulheres e que ele pode reverberar em outras tantas mulheres.

O amor-próprio através do fazer manual é uma realidade, vai aparecendo ali a cada etapa realizada, a cada peça pronta. Por isso estou aqui compartilhando este manifesto, para aumentar este círculo.

Vamos juntas?

Feliz 2022!

9 Anos de Blog!
Reflexões durante o covid, Get Back e um coração em paz.
Meus 10 anos de costuras – Mantendo este blog desde 2013!

Finalmente chegou a hora de fazer este post! Ufa!

Os últimos meses foram bem turbulentos por aqui e a programação dos aniversários de 8 anos do blog e dos 10 anos de costura acabou suspensa por um tempinho…

Neste período de pandemia, eu percebi que precisava revisitar a minha história para me apropriar ainda mais dela e também para fazer as pazes comigo mesma em alguns aspectos. É um movimento que comecei por estar estudando mais uma vez para empreender de maneira mais sustentável e, já que eu represento minha própria empresa e levo meus valores pessoais e bagagem de vida pra ela, não dá pra dissociar a pessoa do empreendimento. Só que  acabou virando um belo de um processo terapêutico também, que bom!

Aqui já teve post sobre o que me levou a costurar, como foram os anos de costura pré-blog (aqui sobre 2011 e aqui sobre 2012 e início de 2013) e agora vim contar como e por que o blog surgiu.

Primeiro, teve festa no zoom pra comemorar o aniversário de 8 anos do blog em março mesmo, com direito a blusa nova e também com comes e bebes, claro!

 

 

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Acabei fazendo uma pausa dos conteúdos mais aprofundados desta retrospectiva por conta da depressão, pois eu não estava no pique de aparecer. Em julho, vi que estava na hora de voltar e fiz um vídeo contando esse processo. Fui recebida com muito carinho, muito acolhimento!

 

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Este vídeo abriu caminho pra fazer uma live que eu queria fazer há tempos, com a Patrícia Cardoso. Falamos sobre um bocado de coisas que se misturam com os nossos processos de costura e de escrita. Foi incrível!

Eu e Pat na live que foi uma delícia!

O meu celular apagou no final da live (sem que eu me despedisse direito das pessoas, ai que chato) e não tive como deixar gravada. Contratempos tecnológicos, rs. Então, pra compensar, gravei este vídeo abaixo contando sobre o blog em si. Hoje eu vejo como o papel da escrita é importante na minha vida, se transformou no instrumento que me ligou a tanta gente e materializou meu amadurecimento. Mas eu conto melhor lá!

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E assim eu termino esse apanhado da minha história com a costura antes do blog, oba! Em breve eu volto para falar sobre a fase mais recente, de quando eu passei a empreender com a costura.

Desde 2013 eu não consigo enxergar a minha vida de costuras e manualidades sem enxergar o blog caminhando junto. Então eu sigo guardando aqui tudo o que eu dou conta, para ter um registro mais aprofundado e perene. Obrigada por acompanhar!

Meus 10 anos de costuras: uma live para contar a história e comemorar!
Como foi o Me Made May 2021 – Mês de maio com roupas feitas por mim
Look do Dia: Um vestido de paetês para saudar 2020 e brilhar na quarentena

Mais uma peça feita antes da quarentena para ser mostrada por aqui. Eu queria chegar em 2020 com um vestido rosa e brilhante. Costurei este vestido em 31/12, bebendo espumante e ouvindo música. Foi uma delícia. Meus desejos para 2020 eram que fosse um ano mais calmo (meus neurônios “fritaram” em 2019 sim, só que eu mal sabia o que viria em 2020, hahaha) e que eu vivesse um amor novo e verdadeiro. Estava pronta pra isso. Eu estava prestes a sair de um relacionamento que nunca se assumiu um relacionamento (aff), mas que estava sendo o maior período com alguém desde o divórcio. E eu já estava em paz com isso tudo. Queria (e ainda quero) algo de verdade. Isso eu sei que vai acontecer na hora certa.

Comprei os tecidos para este vestido no começo de dezembro, junto com a seda maravilhosa que usei para costurar um vestido para o meu aniversário de 40 anos (porque eu merecia ter esse ritual do meu auto-presente de volta e o cumpri lindamente). Logo menos devo mostrar esse vestido também, ficou maravilhoso!

Eu já não me considerava supersticiosa até dois anos atrás, quando revi todo o meu sistema de crenças. Na verdade, eu sigo não sendo supersticiosa. Não faço nada só por fazer ou porque “dá sorte”. Eu acredito que a nossa sorte é a gente que faz. Hoje em dia eu acredito muito que pequenos rituais feitos com propósito cumprem uma função e vestir rosa e brilhos na passagem do ano serviu para demonstrar para mim mesma o que eu (ainda) quero para 2020.

Um vestido de paetês

O molde escolhido é o Bailén Top and Dress da Pauline Alice, que eu já tinha feito em 2017 em veludo. As minhas medidas mudaram de lá pra cá e eu reduzi o molde em um tamanho e meio. O vestido é cortado no viés, o que me levou a pensar se deveria fazer isso pois o tecido da vez era uma malha com os paetês bordados sobre ela. Acabei decidindo por desencanar e costurar a malha como se fosse tecido plano: com o tecido no viés e também com as pences de busto, que depois foram refiladas para não ficarem armadas por causa dos paetês. Também levei em consideração como ficariam os brilhos dos paetês se ficassem retos ou na diagonal. Mudava um pouco e preferi deixar no viés mesmo, até para manter um bom caimento.

O vestido de veludo foi feito com costura francesa, como indicava o projeto, mas internamente ficou grosso por conta do volume do veludo. Como ele é larguinho, não chega a aparecer por fora. No paetê eu fiz costuras simples mesmo. Na coisa toda de fazer o vestido no mesmo dia de usar, rs, está sem um acabamento interno decente até hoje. Por ser malha, o tecido não desfia, mas os paetês acabam pinicando (casa de ferreiro, espeto de pau, eu sei). Em algum momento, voltarei para colocar um viés interno na peça ou mesmo um forro, prometo!

O viés que dá acabamento às cavas e também forma o decote e as alças foi feito com um crepe levinho e deixou o acabamento bem delicado, eu gostei!

(Clique em uma das fotos da galeria para ver em tela cheia!)

Looks dos Dias – Reveillón e Dia dos Namorados

Eu usei o vestido pela primeira vez na virada do ano, que passei na casa de uma amiga muito querida (beijo, Keiko!). Coloquei saltão, acessórios grandes e caprichei na maquiagem. Foi também o momento em que estreei o atual fundo cinza das fotos de look, na sala de TV.

A foto que postei no dia é uma das minhas preferidas na vida!

No último dia dos namorados, eu resolvi usar o mesmo vestido. As roupas especiais não precisam ficar guardadas no armário por não podermos sair com elas por enquanto. Nesses tempos de quarentena, vi pessoas usando paetês ou até roupas como vestidos de noiva em casa e achei legal também fazer isso por mim mesma. Eu me dei folga nesse dia, aproveitei para ajeitar a decoração da cozinha que eu mesma pintei em maio. Coloquei o vestido, me maquiei, coloquei acessórios, comi bem e curti o dia. Foi o primeiro 12 de junho em paz em alguns anos.

 

 

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Hoje eu me dei o dia de folga. É o primeiro dia dos namorados em anos que eu sinto que o meu coração está em paz. Nos dois últimos anos foram dias horríveis, de uma dor que parecia não caber em mim e tinha uma sensação de vazio junto. Hoje eu me mimei o dia inteiro, terminei de decorar a cozinha, que eu mesma pintei em maio. Fiquei perto dos meus filhotes o dia todo. Escolhi dois tecidos bem lindos do meu acervo para finalmente voltar a costurar para mim. Coloquei o vestido de paetês que costurei para o Réveillon e passei batom vermelho. Lembrei que costurei esse vestido no dia 31/12, tomando vinho e ouvindo música. Meu coração está em paz hoje como estava naquele dia. Finalmente sei que tem lugar pra mais um no meu coração e que, enquanto ele não for ocupado, não estarei vivendo um vazio de novo. Aprendi a existir pra mim mesma primeiro, coloco amor em tudo o que faço, tenho amigos e família que amo demais também. Tirei o dia de folga e resolvi celebrar essa paz, mesmo em tempos de caos no mundo. Feliz dia do amor pra todo mundo! #escrevekatiaescreve #costurakatiacostura

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Vestido de paetê: Tecidos de malha com paetês e crepe da Mittus Tecidos; molde gratuito Bailén, da Pauline Alice.
Tênis: Nike

Pulseira: Luiza Dias 111
Colar de cobre e linha: comprado na Alemanha (2018).

Mais um motivo para fazer um vestido rosa para o Reveillón: eu acabava deixando os vestidos brancos encostados no armário. Hoje sei que é porque não me favorece tanto, já que branco não está na minha cartela (assim como preto e cores quentes também). Mesmo sendo um vestido de paetê, fiz com a intenção de continuar a usar com tênis, como fiz nesse dia e, por exemplo, uma jaqueta jeans por cima.

Sempre digo que datas comemorativas podem ser opressoras. O dia das mães foi o meu pior dia da quarentena por não poder ficar com a minha mãe. Contei um pouco sobre esse período aqui. O dia dos namorados em 2018 e 2019 foram bem pesados para mim, assim como o dia dos pais passou também a ser um dia bem melancólico. Então, me dar o dia de presente foi algo muito bom!

Uma nova cozinha

No final de abril eu estava faxinando a cozinha de casa, já à noite. Afastei as cadeiras para passar pano embaixo da mesa e fiquei ali perto esperando secar, já bem cansada. Observando o cômodo, vi que as cadeiras estavam com os estofados muito manchados e também já começando a rasgar. Foram 13 anos de casa cheia e as cadeiras estavam dando sinais de cansaço. Olhei bem pro azul turquesa das paredes e não me identifiquei mais com ele, achei escuro e frio demais. Não me animei mais com a decoração.

A cena da faxina que me fez pensar: “não gosto mais de como as coisas estão aqui”, rs

Mandei uma mensagem para o tapeceiro aqui do bairro, que já tinha refeito os dois sofás e as duas poltronas de casa para saber se ele estava trabalhando. Ele prontamente respondeu que sim e, no dia seguinte, já levou as cadeiras embora. Como eu não estou recebendo ninguém em casa, era um bom momento para ficar sem cadeiras por um tempinho, não iriam fazer falta.

Aproveitando que as cadeiras já tinham saído, comprei tinta, arrastei o buffet de louças para a sala e pintei a cozinha. Levei uma semana, hahahaha. Faz tempo que eu queria ter alguma parte da casa pintada de rosa mas ainda não tinha achado o tom ideal. Aí, vendo os Stories das pinturas na casa linda da Isadora Attab (beijo!), catei a dica da cor com ela e saí correndo pra encomendar a tinta sem nem testar antes, rs. Acabou que, escolhendo as fotos deste post, vi que a cor do vestido e da parede ornaram, hehehe. Um rosa bonito sem ser fofo demais.

Foi uma novela a pintura pois cobrir aquele azul deu trabalho. E o trabalho valeu a pena. Amei as cores novas. Agora a cozinha está mais clara, com as cadeiras renovadas numa cor mais escura. Eu fiquei tanto tempo lá pintando que eu depois enrolei um mês para definir a decoração. Praticamente tudo já estava na minha casa, foi só mudar de lugar mesmo. Os bordados estavam em uma parede que agora não tem praticamente mais nada (tenho novos planos para ela também). Organizei o buffet para ficar com as bebidas mais à mostra, assim como agora tenho plantinhas ali, finalmente!

(Clique em uma das fotos da galeria para ver em tela cheia!)

Para terminar, quero fazer um caminho de mesa novo, seguindo um projeto que tenho vontade de fazer há anos e, nessa revisão do ateliê, vou separar os materiais para isso. Só que não quis esperar essa peça ser feita para mostrar nem quis esperar para celebrar a renovação, que tenho sentido tão necessária nesses tempos de quarentena. Assim como não quis esperar poder levar o vestido de paetês pra passear na rua para vestí-lo de novo.

Depois de compreender a euforia de 2017, vejo que hoje eu não me sinto realmente feliz. E tá tudo bem admitir isso também, sabe? Eu me sinto muito grata todos os dias por estar segura em minha casa e, primeiramente, por ter uma casa, saúde, trabalho e comida no prato. Também sou grata demais pela minha família, meus doguinhos e meus amigos. Mas não tenho me sentido realmente feliz. A vida como está hoje, longe das pessoas e sem poder andar tranquilamente por aí, não é o que eu quero para mim. Porém, esse retorno aos cuidados com a casa, com a comida, ficar o tempo todo com os meus bichinhos e os desafios do trabalho online me trazem alegrias diárias e eu não posso deixar de celebrá-las.

Vamos seguir com os cuidados para ter pequenas alegrias diárias!

Look do Dia: Slip Dress de Veludo!
9 Anos de Blog!
Katia Linden
Sou de São Paulo, publicitária de formação e várias outras coisas por admiração e escolha própria: feminista, mãe de cachorros, tatuada, amante de música, viciada em Grey's Anatomy, costureira, modelista, consultora de estilo e (também, ufa) autora deste blog.
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Vencendo a minha maior resistência: vender!