Look do Dia – Vestido de Viscose para passear no Porto!

Mais uma vez volto aqui com um grande intervalo entre os posts (sem ser o post de aniversário do blog, rs). 2025 foi um ano intenso: de sonhos realizados, de dores e dificuldades e de belezas pelo caminho.

Entre isso tudo, nos sonhos realizados, um foi muito importante pra mim: tirei férias entre junho e julho e pude fazer duas coisas incríveis: voltar para Paris depois de alguns anos (quem lembra do tempo em que eu ia pra lá uma vez por ano?) e fui para Portugal pela primeira vez.

Resolvi retomar mais uma das minhas tradições: fazer uma peça nova para estrear na viagem!

O VESTIDO DE VISCOSE (QUE GANHOU UMA PARTE EM SEDA)

Esse vestido já nasceu com uma história especial: o tecido que eu usei foi comprado em Paris em 2016 e quase entrou em um desapego que fiz (e esses materiais seguem separados há anos, só que esse saiu do desapego, rs). Pois no ano passado ele virou um lindo vestido, viajou comigo pra Paris mas eu fui estreá-lo mesmo em Portugal, quando fui com minha família que mora lá visitar a cidade do Porto!

Eu tenho este molde há muitos anos, de quando fiz a versão da blusa com um crepe de seda lindo! Eu ainda tenho esta blusa mas passei um tempo sem usar por estar um pouco justa. Ano passado, com ela voltando a vestir bem, fui com ela dar aula e uma das minhas alunas quis fazê-la também. Fui resgatar o projeto e, na empolgação de ver minha aluna fazendo, resolvi fazer a versão do vestido, resgatando esta viscose bem fininha, com estampa fofa e textura maquinetada.

O tecido não era suficiente para fazer as mangas forradas e acabei completando o projeto com um corte de georgete de seda, que também foi aproveitado para fazer um viés bem fininho pra finalizar a peça internamente. Ficou um primor só.

O mais interessante de refazer um projeto depois de 8 anos é ver a evolução na costura. A primeira peça está bem feita mas a segunda ficou muito melhor! Vamos combinar que seria muito estranho não ter evoluído nada em tantos anos, não é?!

Este vestido sai bastante da minha zona de conforto pois ele desce bem reto, sendo que eu acabo usando mais roupas que marquem a minha cintura. Cheguei a considerar fazer uma faixinha pra amarrar na cintura usando o mesmo tecido mas, testando antes mesmo de fazê-la, acabei deixando de lado. E eu me sinto sempre muito bem usando esta peça!

Vamos aos detalhes?

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Eu terminei o vestido na madrugada em que viajei, sendo que eu tinha que sair de casa na hora do almoço para ir para o aeroporto. Foi com emoção, kkk! Fui fazendo o vestido ao longo de alguns dias (está tudo nesse destaque dos meus Stories), acabei não tendo a conta certa de quanto tempo levei com essas últimas horas de trabalho sem registro, acredito que foram de 10 a 12 horas, fora a ida para comprar o georgete de seda em um dia de temporal em SP.

 

LOOK DO DIA: CONHECENDO A CIDADE DO PORTO

Minhas férias foram divididas em: 1 semana em Paris, 6 dias em Portugal e mais 3 dias em Paris. Enquanto estive em Portugal, visitei minha prima Fernanda, Fernando, Marco Antonio e Helena em Viana do Castelo. Teve um dia em que fui de trem para Famalicão visitar a Alzira, nos conhecemos aqui pelo blog e pudemos ter um dia gostoso juntas na cidade dela! E também tive um dia com a minha família conhecendo a linda cidade do Porto. Quero muito poder voltar, amei tudo!

Neste dia de passeio em família no Porto, levei meu vestido pra passear também. Foi ótimo porque fez muito calor no dia e esta peça é bem fresquinha! Fê e Nando fizeram fotos lindas pra mim, obrigada!

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Vestido: viscose maquinetada da AnnaKa Bazar (atual Atelier Brunette), georgete de seda da Mittus Tecidos (rua Augusta), molde de blusa/vestido Farrah, da Chalk & Notch (eu fiz a versão A do vestido).
Tênis: Veja

Este vestido segue sendo bastante usado por aqui, inclusive compondo looks de inverno, com meia calça, bota e casaco!

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Retomar essa tradição me deixou muito feliz, além de resgatar mais um tecido do meu acervo!
Me conta o que achou nos comentários!

Look do dia: Blusa de Seda com Babados!
Look do Dia: Casaco de Lã com Capinha!
Look do Dia: Slip Dress de Seda!

 

Depois de alguns anos, consegui retomar mais uma tradição minha que eu tinha e amava: fazer a roupa para usar na virada de ano! Resolvi fazer um slip dress de seda, com um tecido que eu comprei em 2017 exatamente para isso e que ainda não tinha acontecido…

Ainda no pique de ter feito a roupa que usei no meu aniversário (confira aqui), resolvi fazer este vestido durante o meu recesso de fim de ano. O recesso começou com uma última comemoração do meu aniversário (usando uma blusa feita por mim), o Natal em família (quando repeti a roupa do meu aniversário) e, depois de uns dois ou três dias dormindo ou descansando vendo TV em casa, me vi morrendo de vontade de costurar o look do Réveillon. A última vez que fiz isto foi na virada de 2019 para 2020, quando fiz um outro slip dress, só que de paetês (veja aqui).

Ter costurado este novo vestido me fez muito bem e me fez pensar por que eu demorei tanto para fazê-lo, já que ele sempre esteve nos meus planos. Enquanto eu não queria nem me olhar no espelho (contei mais aqui) eu realmente não considerava fazer um vestido bem com energia de gostosa, ainda mais em uma cor vibrante e com uma estampa super festiva. Hoje em dia me vejo neste lugar de novo, que bom que eu o fiz!

O VESTIDO DE SEDA

Fazer este vestido foi um processo muito gostoso, como sempre! Teve emoção porque “roubei” um pouco do tecido em questão lá em 2021, quando fiz uma blusa para estrear na festa virtual do aniversário do blog (prometo fazer um post sobre a blusa). Por isso foi difícil executar o plano de corte, já que o vestido foi cortado no viés mas, com as devidas manobras minhas, eu consegui!

Do projeto original, precisei encurtar 10cm na barra e a parte interna do decote da frente tem uma emenda, mas que não aparece ao vestir. No fim das contas, considero que saí no lucro, pois consegui espremer duas peças lindas e bem diferentes entre elas em um tecido lindo e muito especial.

O molde do Sicily Slip Dress tem duas variações: versão midi com alças fininhas e a versão na altura do joelho com a parte de cima como uma regata. Ambas são cortadas no viés e possuem este decote degagê, que forma um lindo drapeado na frente. O meu vestido virou a mistura das duas versões, já que fiz na altura dos joelhos (para fazer caber no meu tecido) e com as alças fininhas.

O tecido é um cetim de seda da Liberty que comprei quando fui para Londres em 2017. Naquela época, já não queria mais as tradicionais florzinhas no armário (apesar de ainda achá-las lindas, até hoje) e achei esta estampa de fogos de artifício muito fofa e festiva. O fundo do tecido é um azul vibrante, mais para o azul anil por ser meio arroxeado, mas lembra também um azul royal. Além do brilho habitual do cetim, o tecido também tem listras bem discretas.

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Eu já tinha o molde impresso em casa pois uma aluna minha fez este vestido há uns anos atrás (então eu sabia que ele daria muito certo). As instruções são ótimas, principalmente pelas dicas sobre como trabalhar com tecidos no viés, que certamente serão muito úteis para quem não estiver acostumada com toda a desobediência do tecido nesse sentido do fio.

Fiz o vestido entre os dias 28 e 31/12 e ficou pronto a tempo de eu receber minha mãe, meu irmão e minha tia para passarem a virada aqui em casa. No dia 31, a única coisa é que eu passei com o vestido ainda com uma barrinha temporária, pois roupas no viés normalmente distorcem e o ideal é deixar a peça pendurada num cabide por 24 horas para “despencar” o que tiver que “despencar”, antes de fazer uma barra definitiva.

Aí fiz isso (o vestido passou foi uns dois ou três dias pendurado porque esqueci) e, uns dias depois, acertei a barra tanto por ter ficado assimétrica quanto por estar no meio do joelho (ou seja, nem midi nem acima do joelho, o que não dá muito certo). Fiz uma barra lenço caprichada e, no fim de semana passado, usei novamente para poder fazer mais fotos.

Usei uma agulha 12 novinha para costurar a peça e tudo foi alinhavado antes de ir para a máquina. As costuras laterais foram feitas com costura francesa, para dar o melhor acabamento em uma peça especial como esta. Se quiser ver todo o processo de fazer este vestido, salvei neste destaque do meu instagram. Levei entre 7 e 8 horas para fazê-lo.

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LOOK DO DIA – REVEILLON E UM SÁBADO ESCALDANTE DE VERÃO

Na virada do ano, não consegui me maquiar nem fazer nada de diferente no cabelo pois tinha uma pequena ceia para fazer. Usei o vestido com uma barra provisória com pontinhos à mão, meu tênis preto nada básico e brincões nos mesmos tons do vestido.

Fiz um tender com molho de laranja, batatas ao murro temperadas com tomilho fresco, entradinhas leves e frescas por conta do calor e um pudim de leite condensado. À meia noite comemos romã e tomamos um espumante!

Eu estava me sentindo maravilhosa e potente, uma grande gostosa, kkkkk!

 

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Sábado passado usei o vestido de novo! Fui dar aula na parte da manhã e, à tarde, eu e minha amiga Rosângela fomos no CCBB ver uma linda exposição do Flávio Cerqueira, que está imperdível. A luz no térreo do CCBB estava linda e fizemos as fotos ali mesmo!

Neste dia usei minhas argolas rosê e tênis branco. Até levei um casaquinho branco caso algum ar condicionado estivesse muito gelado, mas isso não aconteceu, kkk!

Mais uma vez, me senti linda com este vestido. É uma das peças mais lindas que já fiz e me sinto orgulhosa de ter usado este tecido como eu tinha imaginado anos atrás. É sinal de que algumas características são nossas mesmo e não se perdem com o tempo. E também é um fato que fico linda de azul!

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Slip Dress em Cetim de Seda: molde Sicily Slip Dress, da Sewing Patterns by Masin, feito em cetim de seda Liberty comprado em 2017.
Brincos: Luiza Dias 111
Tênis: Adidas

A era da energia de gostosa está definitivamente de volta, ainda bem!
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Look do Dia: Slip Dress de Veludo!
Look do Dia: Um vestido de paetês para saudar 2020 e brilhar na quarentena
Meus 10 anos de costuras: as costuras de 2012 e início de 2013!

2012 foi um ano muito difícil para mim. Uma crise no casamento iniciada no Natal de 2011 que levou a muitos meses de brigas. Eu descontava a minha tristeza na comida. Engordei muito e, ao não me reconhecer ao me ver no espelho (muito mais pela tristeza do que pelos quilos a mais) acabei cortando meu cabelo chanelzinho (que não funcionou pra mim, logo deixei crescer de novo. Hoje entendo que o problema não era com o que eu via no espelho.). Tinha lampejos de alegria e euforia principalmente nos shows, festivais e viagens (lembra que já falei de euforia aqui?), mas por dentro eu estava triste, me sentindo vazia e sem perspectiva. Fui estudar alemão, aprender a tocar guitarra, fazer aula de dança e segui na costura, agora pensando em fazer algumas roupas novas já que não tinha muito o que me servisse. Eu precisava ocupar o vazio que eu sentia com algo produtivo.

Foi quando eu vi que o que era mais terapêutico disso tudo pra mim era costurar, nutrir as boas relações que o universo craft já estava me trazendo e também estudar alemão como uma forma de estar mais próxima das minhas origens paternas e também de me manter próxima do lugar que roubou meu coração em 2011 (e até hoje sei que um pedaço do meu coração nunca deixou de pertencer à Alemanha, mas naquele momento eu não me sentia capaz de levar o corpo e a alma pra lá de vez).

Então, eu costurava bastante até por já ter uma máquina em casa, aprendia mais, deixava o ateliê com mais cara de ateliê. Foi um ano de contrastes: de muitas tristezas cotidianas e alegrias em alguns momentos, principalmente em viagens para Buenos Aires, Berlin (chorei por um mês direto depois de voltar) e Paris, assim como os shows de música e exposições que eu sempre amei frequentar.

Eu também passei a comprar demais: maquiagens, acessórios, coisas de costura. Roupas eu não conseguia comprar na mesma velocidade, pois meu tamanho que nem era Plus e nem era da grade “regular” não me deixava muitas opções, ao menos das coisas que eu tinha vontade de vestir. Eu tentava preencher o vazio tendo muitas coisas, algumas que nem cheguei a usar. Isso explica, por exemplo, porque eu passei a falar de minimalismo alguns anos depois. Eu já não precisava ter tanta coisa na minha vida, só o que realmente importava.

Por muito tempo evitei falar disso por achar que estaria sendo ingrata a respeito das boas coisas que vivi naquele ano. Hoje entendo que a contrapartida para ter essas alegrias era alta demais. Sei que hoje não aceitaria viver assim: tendo muitos dias ruins em função de esperar por determinados momentos bons. E assim, romantizei tudo, coisa que não faço mais (obrigada, maturidade!).

Eu vivi muitos anos praticamente me desculpando por ser inteligente, culta, comunicativa. Aceitava que eu não podia ter tudo e me desculpava por não ser boa o suficiente. Estava tudo bem não ter uma carreira ou não ter filhos porque tinha tantas outras coisas. Aceitei caber numa caixinha muito menor do que eu merecia. Hoje em dia eu acho que nenhuma caixinha me cabe, rs

Mais para o final do ano, a crise parecia ter sido resolvida. Mas algo no meu coração tinha mudado, sem dúvida. Eu precisava cuidar mais de mim, fazer mais por mim.

A sensação que eu tenho hoje é que, quando eu estive em Brasília para visitar a Vivi Basile e o ateliê que ela tinha na época com a Maila, eu tive um respiro para pensar no que eu queria para mim, sem o ruído da rotina da casa, do casamento e tudo mais, não com a consciência que eu tenho hoje, olhando com o distanciamento proporcionado pelo autoconhecimento e pelo tempo mas, de alguma forma, me senti livre.

Assim como eu voltei de Salvador em abril de 2011 com as minhas primeiras aulas de costura marcadas, voltei de Brasília em março de 2013 decidida a manter meu plano de explorar o universo dos tecidos (não só costurando) e também de iniciar o blog, pois eu queria compartilhar o que eu estava vivendo, os meus questionamentos e, enfim, manter um diário disto tudo.

Dali em diante, o resto é história já contada, rs.

Então, para contar como foi esse um ano e pouquinho, mais fotos!

2012 em fotos (Primeiro semestre)

(Clique em uma das fotos da galeria para ver em tela cheia!)

2012 em fotos (Segundo semestre)

(Clique em uma das fotos da galeria para ver em tela cheia!)

O início de 2013 em fotos

(Clique em uma das fotos da galeria para ver em tela cheia!)

 

Eu resolvi começar o blog também porque a minha produção estava intensa (deu pra ver como eu fiz muita coisa nesse tempo, se comparar com o post de 2011, né?!) e eu me sentia revigorada ao viver cada um desses encontros, ao fazer cada um destes projetos. Não queria que essa história se perdesse e, realmente, o blog cumpriu muito bem esta função até 2018, nos anos em que postei intensamente.

Mas eu acho que logo menos resolvo esse outro período sem registros, me empolguei, rs!

Está gostando de acompanhar esta parte da história que ainda não tinha aparecido por aqui?

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Katia Linden
Sou de São Paulo, publicitária de formação, professora de costura por paixão e escolhas da vida. Sou também várias outras coisas por convicção: feminista, mãe de cachorros, tatuada, amante de música, viciada em Grey's Anatomy, costureira, modelista, consultora de estilo e (também, ufa) autora deste blog.
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Vencendo a minha maior resistência: vender!